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A eternidade e suas bençãos

Agora prossigamos para considerar o que a Bíblia ensina sobre o estado eterno. Quando Jesus voltar à terra, ele trará todos os seus santos consigo (1Ts 3.13; Jd 14).

Seus corpos ressuscitarão do túmulo, e os crentes vivos sobre a terra encontrarão o Senhor nos ares (1Ts 4.16-17).

Esse encontro com Cristo no ar é chamado de arrebatamento; embora haja muita discussão entre os teólogos sobre quando isso acontece, não há dúvida de que irá acontecer.

Depois disso vem o julgamento final de Deus (Mt 10.15; 11.22,24; At 17.30-31; Ap 20.11-15). É um julgamento dos justos e dos ímpios. Quem não crê em Cristo será julgado pelas suas obras (Rm 2.5-8; Ap 20.12-13).

Observe como é completo o julgamento

Toda obra, de fato, todo pensamento, receberá o juízo divino (Ec 12.14; Mt 12.36). Todos os segredos serão revelados (Le 12.2-3) e Deus irá julgá-los (Rm 2.16).

É claro, nenhuma obra, palavra ou pensamento é perfeitamente aceitável para Deus. Portanto, o julgamento de Deus sobre quem não está com Cristo invariavelmente é negativo; a punição é a morte, nesse caso, morte eterna, punição eterna, separação eterna de Deus.

O julgamento final também inclui os crentes. Paulo afirma: “(…) importa todos nós compareçamos perante o tribunal de Cristo, para que cada um receba segundo o bem ou o mal que tiver feito por meio do corpo” (2Co 5.10; que cf. Mt 25.31-46; Rm 14.10, 12).

Evidentemente, por causa de Cristo, não tememos a condenação eterna. Por meio dele, nossos pecados foram perdoados; assim, como Paulo diz em Romanos 8.1, não há condenação para aqueles que estão em Cristo Jesus

De fato, Jesus diz em João 5.24 que, quem crê nele, já tem a vida eterna, mesmo aqui neste mundo. Essa vida não nos será tirada no julgamento final. Antes, Deus confirmará essa vida que Jesus comprou para nós com seu próprio sangue.

Esse será um grande acontecimento para todos nós. E será tremendamente importante também para o universo físico.

Vimos anteriormente como agora a criação geme e suporta angústia até a revelação dos filhos de Deus (Rm 8.19 22). Na volta de Cristo, a angústia terá fim e a criação dará à luz algo novo.

As Escrituras falam dessa nova realidade como novo céu e nova terra (2Pe 3.13; Ap 21.1). “Céu e terra” é uma maneira hebraica de se referir a tudo o que há no universo.

Portanto, podemos dizer que Deus fará um novo universo

É uma realidade física, adequada ao nosso corpo ressurreto (Rm 8.19-21).

Lembre-se de que a consumação da existência humana não nos leva acima e além do físico. Em vez disso, assim como o corpo ressurreto de Jesus, nossa existência no novo céu e nova terra será física.

Haverá comida e bebida (Lc 22.18; Ap 19.9; 22.1-2) e viagens por uma cidade com ruas (Ap 21.10-11,21 26).

Sem dúvida, boa parte da descrição da nova Jerusalém em Apocalipse é simbólica, mas realmente revela uma maneira ampliada e consumada de existência física.

Espero que, assim como o corpo de Jesus, nosso corpo ressurreto tenha poderes que agora não têm. Por exemplo, Jesus foi capaz de atravessar portas fechadas.

O corpo ressurreto será imortal, poderoso e espiritual. Paulo diz: “(…) assim também é a ressurreição dos mortos. Semeia-se o corpo na corrupção, ressuscita na incorrupção.

Semeia-se em desonra, ressuscita em glória. Semeia-se em fraqueza, ressuscita em poder. Semeia-se corpo natural, ressuscita corpo espiritual.

Se há corpo natural, há também corpo espiritual” (1Co 15.42-44). Espiritual significa orientado pelo Espírito, capacitado pelo Espírito.

Evidentemente, não haverá atividade sexual na nova criação

Jesus afirma que, na era por vir, as pessoas “nem casam, nem se dão em casamento” (Mt 22.30).

Nossa família terrena será superada pela família mundial de Deus. No entanto, sem dúvida, a nova criação não é um período de menor intimidade, e sim maior intimidade com Deus e com outros membros do seu corpo.

Não tenho dúvida de que compartilharemos nossos dons uns com os outros de uma maneira nunca vista até agora.

Não estaremos mais desconfiados, com medo ou com inveja dos outros, por isso compartilharemos abertamente o que somos, o que pensamos, o que somos capazes de fazer.

Não sei exatamente o que substituirá o prazer sexual, mas sei que nossa intimidade com Deus e com os outros será algo melhor e maior do que tudo o que conhecemos e desfrutamos nesta terra-assim como tudo será.

Muito do nosso tempo se passará em adoração, como sugere o livro de Apocalipse

Daí a imagem frequente de santos glorificados tocando harpas nos cartoons, contudo, lembre-se de que a adoração nas Escrituras é tanto restrita quanto ampla.

De modo restrito, inclui períodos específicos de reunião para adoração a Deus; de modo amplo, a adoração e apresentar nosso corpo em sacrifício vivo, que é o nosso culto espiritual (Rm 12.1-2).

Haverá muitas coisas para fazer na nova criação. Novas coisas para aprender, criar e fazer

No entanto, quer estejamos reunidos ao redor do trono para cantar a Deus, quer estejamos explorando os limites distantes da nova criação, o fato mais significativo será e Deus está presente ali em plenitude consumada (Ap 21.3 4; 22.3-4).

Não há templo na nova cidade, pois o Senhor Todo-Poderoso e o que Cordeiro são eles mesmos o templo (21.22). Ou seja, estaremos sempre em contato direto com Deus, não importa onde estivermos.

Ora, como nossa existência nessa nova criação é física, ela também é temporal. Somente Deus está acima do tempo.

Os seres humanos são criaturas temporais – vivem no tempo – e sempre serão. Um corpo físico implica uma existência espacial e temporal.

As pessoas às vezes interpretam Apocalipse 10.6 (“já não haverá tempo” na KJV) como se nossa existência futura estivesse acima ou além do tempo.

Mas acredito que as traduções mais atuais são mais precisas ao traduzir o versículo como “já não haverá demora” [como na ARA].

Ou seja, não haverá demora no cumprimento do mistério de Deus (v.7)

Na nova criação, como agora, um acontecimento se seguirá ao outro no tempo (Ap 21.24-26; 22.2).

Desse modo, a nossa existência no novo céu e nova terra será espacial e temporal. Não nos tornaremos divinos.

Mas estaremos com Deus de maneira completa. Lembre-se de que o cerne da aliança é a palavra: “Eu serei seu Deus e vós sereis meu povo”.

Em Apocalipse 21.3 e 7, Deus repete essa palavra, com um significado final. Agora ele está “conosco” de maneira mais notável do que antes.

Ele é inteiramente Emanuel, Deus conosco. Essa é a grande esperança do salmista em Salmos 16.11; 27.4; 73.25-26. Esta é a realidade da nova criação:

(…) ouvi grande voz vinda do trono, dizendo: Eis o tabernáculo de Deus com os homens. Deus habitará com eles. Eles serão povos de Deus, E Deus mesmo estará com eles.

E lhes enxugara dos olhos toda lagrima, e a morte já não existirá, já não haverá luto, nem pranto, nem dor, porque as primeiras rodas passaram. (Ap 21.3-4)

Nunca mais haverá qualquer maldição, Nela, estará o trono de Deus e do Cordeiro. Os seus servos o servirão, contemplarão a sua face, e na sua fronte está o nome dele. (Ap 22.3-4)

A bênção eterna dos cristãos (céu)

A bênção mais importante para os cristãos no estado eterno é a presença do próprio Deus. Por toda a eternidade, viveremos com Jesus, olhando Deus face a face.

O pecado é a grande barreira para nossa intimidade com Deus; no estado eterno, estamos separados para sempre não somente da culpa do pecado.

Mas também do seu poder e da sua presença na nossa vida. Há alegria na presença de Deus. Estamos todos convidados para a ceia das bodas do Cordeiro (Ap 19.9). Há um banquete e alegria.

Outra bênção, ou talvez outra maneira em que a Bíblia descreve nossa bênção final, é a herança (Mt 25.34; At 26.18; Ef 1.11,14,18; CI 1.12; 3.24; Hb 9.15; 1Pe 1.4; Ap 21.7).

Sob a doutrina da adoção, no capítulo 42, mencionei que ser filho de Deus significa receber uma herança.

Qual é a herança?

Bem, é sobretudo o próprio Deus. Continuamos a voltar a isso. Deus era a herança de Israel (SI 16.5), como Israel era de Deus.

Mas podemos ser mais específicos. Algo que Deus concede como herança para seu povo é autoridade (Ap 20.4; 22.5).

Reinaremos com Cristo. Isso inclui julgar os anjos (1Co 6.3), julgar Israel (Mt 19.28; Lc 22.30), governar cidades (Le 19.11-27).

Deus deu para Adão e Eva a autoridade de ter domínio sobre a terra. Agora os santos de Cristo recebem a autoridade da qual Adão foi privado pelo seu pecado.

Nem sempre está claro quão literalmente devemos considerar essas pro messas, mas não há dúvida de que há uma recompensa para os que pertencem a Jesus.

Alguns filósofos, como Immanuel Kant, pensam que fazer o bem para obter uma recompensa é errado e imoral.

Defendem que devemos cumprir nosso dever por ser nosso dever, sem pensar na recompensa. Porém, isso não é bíblico.

Repetidas vezes as Escrituras incentivam nossas boas obras com pro messas de recompensa.

Evidentemente, há a promessa da própria vida eterna para todos os que creem (Jo 3.16; Rm 2.7). Essa vida eterna é uma vida de felicidade, herança e posses, como vimos.

Se servirmos fielmente a Cristo, receberemos uma recompensa (1Co 3.14).

Paulo afirma em Colossenses 3.23 24: “Tudo quanto fizerdes, fazei-o de todo o coração, como para o Senhor e não para homens, cientes de que recebereis do Senhor a recompensa da herança. A Cristo, o Senhor, é que estais servindo”.

Também parece haver graus de recompensa. Na parábola das minas ou pesos (Lc 19.11-27), o mestre deu graus mais elevados de autoridade aos servos que o de maneira mais fiel.

Cf. 1Coríntios 3.12-15. Podemos supor que essa divisão desigual causaria infelicidade ou inveja entre os que foram redimidos, mas obviamente isso não acontecerá.

A primeira coisa a lembrar a respeito do estado eterno do redimido é que não haverá pecado; isso inclui inveja, ciúme e cobiça.

Se um amigo seu ganhar uma recompensa maior que você, você ficará feliz por ele e afirmará que a distribuição de Deus é totalmente justa.

Para que você possa se aprofundar e continuar seus estudos, leia o nosso próximo artigo, para você ter uma visão mais acurada do assunto indico o livro “Teologia Sistemática” de John Frame que deu origem a este artigo. Deus abençoe, até o próximo texto.

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