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Eleição e Reprovação – Veja Com detalhes Esta Importantíssima Doutrina

A eleição é o propósito de Deus a respeito da redenção de pessoas. A reprovação é o propósito de Deus de não salvar certas pessoas.

Eleição e reprovação são geralmente associadas à predestinação, que inclui o propósito de Deus quanto ao destino eterno dos seres humanos. Para alguns, o propósito de Deus na salvação consiste em dois aspectos: eleição e reprovação.

Para outros, o propósito de Deus se limita apenas à eleição. Os que defendem a eleição incondicional afirmam que Deus escolhe alguns para a salvação com base em sua vontade soberana e no prazer de salvá-las.

A reprovação é o propósito eterno e soberano de Deus de não salvar certas pessoas, mas entregá-las aos seus pecados, pelos quais ele as pune com justiça.

Os que defendem a eleição condicional afirmam que Deus escolhe pessoas para a salvação com base em sua fé no evangelho e na sua permanência em Cristo, que Deus conhece de antemão.

ENTENDENDO A DOUTRINA DA ELEIÇÃO E REPROVAÇÃO

A predestinação é a determinação soberana de Deus acerca de tudo o que acontece, incluindo seu propósito em relação ao destino eterno dos seres humanos. Envolve dois aspectos.

O primeiro é a eleição, que é o propósito eterno de Deus em relação à salvação de certas pessoas. Mais especificamente, a questão é a natureza da eleição: se é incondicional ou condicional.

O segundo é a reprovação, que é o propósito eterno de Deus de não salvar certas pessoas. Mais especificamente, a questão é se a reprovação faz parte da predestinação divina ou não.

A eleição diz respeito à escolha divina de certas pessoas para serem salvas. Os que defendem a eleição incondicional sustentam que essa escolha divina tem como base a vontade soberana de Deus e o seu bel-prazer de salvá-las.

Os princípios-chave são os seguintes:

  • (1) Deus é soberano, e sua eleição é soberana.
  • (2) No passado eterno, e por sua graça em Cristo, Deus escolheu certas pessoas para serem salvas.
  • (3) No tempo, Deus concede graça e fé salvadora somente aos eleitos.
  • (4) A eleição precede os poderosos atos de Deus na salvação (como regeneração e justificação).

Para os que defendem os dois aspectos da predestinação, a reprovação é o propósito eterno e soberano de Deus de não salvar certas pessoas, e sim entregá-las aos seus pecados, pelos quais ele as pune com justiça.

Essa decisão divina não se baseia no conhecimento prévio da incredulidade e das más ações das pessoas.

Ainda assim, embora a decisão divina não seja favorável para os réprobos, eles pecam voluntariamente e são responsabilizados por isso — e são punidos justamente.

Os que defendem a eleição condicional afirmam que Deus escolhe pessoas para a salvação com base em sua fé no evangelho e na sua permanência em Cristo, que Deus conhece de antemão.

Os princípios-chave dessa posição são os seguintes:

(1) Deus deseja que todos sejam salvos.

(2) Embora todos os seres humanos sejam irremediavelmente pecadores, a graça preveniente restaura a capacidade de arrepender-se do pecado e crer no evangelho.

(3) Em sua perfeita presciência, Deus antevê aqueles que abraçarão a salvação e perseverarão nela e os elege de acordo com isso.

Há uma grande divisão entre as teologias reformadas e arminianas no que diz respeito a essa doutrina.

A teologia reformada sustenta a eleição e a reprovação, ambas incondicionais. A teologia arminiana sustenta a eleição, que é condicional.

Algumas variedades não abordam a reprovação, mas aquelas que o fazem rejeitam a reprovação incondicional.

Base bíblica

O apoio bíblico à predestinação divina inclui a afirmação de que essa predestinação é “conforme o propósito daquele que faz todas as coisas segundo o desígnio da sua vontade” (Ef 1.11).

Sem minimizar o importante papel das decisões e ações humanas, a sabedoria reconhece: “Muitos são os planos na mente do homem, mas o propósito do SENHOR prevalecerá” (Pv 19.21).

Os seres humanos decidem e agem de forma legítima e responsável, mas a sabedoria lhes diz “que o caminho do homem não está nele, nem lhe compete dirigir seus passos” (Jr 10.23).

A teologia reformada sustenta que a predestinação divina abrange tanto a eleição quanto a reprovação.

Ambas são incondicionais, baseadas na vontade soberana de Deus e em seu prazer gracioso de salvar ou não salvar.

O apoio bíblico inclui o seguinte: Deus escolheu as pessoas “em Cristo”. Ele as predestinou para adoção “segundo a boa determinação de sua vontade”.

E Deus as predestinou “conforme o propósito daquele que faz todas as coisas segundo o desígnio da sua vontade” (Ef 1.4,5,11).

Todos os que são designados para a vida eterna creem (At 13.48).

A eleição divina, que está em Cristo, baseia-se no propósito e na vontade de Deus.

A eleição é também pela graça. Historicamente, o remanescente de Israel foi “escolhido pela graça”.

Esse princípio continuava válido na época de Paulo: “Assim, pois, também no tempo presente há um remanescente, escolhido pela graça”.

A lição que ele extrai diz respeito à eleição: “Mas, se é pela graça, já não é com base em obras; do contrário, a graça já não seria graça” (Rm 11.5,6).

Então, combinando os dois pontos acima, vemos que a eleição divina se deve ao “propósito e [à] graça” de Deus (2Tm 1.9).

O propósito de Deus é que os eleitos “sejam santos e irrepreensíveis diante dele” (Ef 1.4) e vivam “para o louvor de sua gloriosa graça” (Ef 1.6,12,14).

A eleição não se baseia em boas obras e em uma vida louvável, mas certamente resultará nisso.

Aliás, embora seja uma decisão divina, a escolha de Deus se torna manifesta quando um cristão recebe a Cristo e vive para ele (1Ts 1.4,5).

Os Eleitos

Quanto ao momento de sua ocorrência, a eleição se deu “antes da fundação do mundo” (Ef 1.4). Os eleitos, escolhidos em Cristo “antes do início dos tempos” (2Tm 1.9).

De acordo com o propósito e a graça de Deus, experimentam a poderosa obra do Espírito Santo, respondem ao chamado divino e creem no evangelho pela fé para serem salvos.

Os defensores da reprovação indicam três passagens bíblicas. Em Romanos 9.15-18, Paulo cita as palavras de Deus a Moisés: “Terei misericórdia de quem eu quiser ter misericórdia”.

Assim, a salvação “não depende da vontade nem do esforço de alguém, mas de Deus mostrar misericórdia”.

O contrário também é verdade, como ilustra o modo como Deus trata o faraó: “Portanto, ele [Deus] tem misericórdia de quem quer e endurece a quem quer”. Deus é responsável tanto pela misericórdia quanto pelo endurecimento.

Para os que não aceitam a ideia dessa determinação divina, Paulo enfatiza o direito que Deus tem de fazer o que quiser.

O Que Deus Fala a Respeito da Eleição

Ele fala de “vasos de ira preparados para a destruição” e “vasos de misericórdia, que ele [Deus] preparou de antemão para a glória”.

O último grupo — os eleitos — recebe aquilo que nunca poderia obter por si mesmo: a salvação é totalmente de Deus.

O primeiro grupo — os réprobos — está designado para a destruição. Será que essa afirmação deve ser entendida no sentido de que eles se preparam para a morte final por sua falta de fé e más obras?

Também nesse caso, o contexto ressalta a soberania divina, tanto na eleição, resultando na misericórdia de Deus, quanto na reprovação, resultando em endurecimento e destruição (Rm 9.14-24). A predestinação divina está por trás dos dois destinos.

Paulo trata de um tema semelhante em Romanos 11. O fundamento da eleição é o fato de Deus escolher gratuitamente pessoas pecadoras.

Assim, “os eleitos […] alcançaram [a salvação], mas o restante foi endurecido” (v. 7). Existem duas categorias de pessoas: os eleitos e os réprobos.

Quanto a este último grupo, Pedro explica que eles tropeçam na pedra angular, Cristo. Especificamente, “eles tropeçam por desobedecerem à palavra, como foram destinados a fazer” (1Pe 2.4-8).

Isto é, o tropeço dos incrédulos em virtude da desobediência à palavra de Deus é o seu destino. Deus designou os réprobos para serem incrédulos, ofenderem-se com Cristo, tropeçarem nele.

A teologia arminiana sustenta que a predestinação divina abrange a eleição, mas não — segundo algumas de suas formulações —a reprovação, e certamente não a reprovação incondicional.

Além disso, a eleição é condicional, com base em uma resposta de arrependimento e fé no evangelho e de perseverança na salvação, resposta que Deus conhece perfeitamente.

Assim, com base na presciência dos que responderão com arrependimento e fé e perseverarão na salvação, Deus os elegerá.

Os defensores da eleição condicional argumentam: Deus “deseja que todos os homens sejam salvos e cheguem ao pleno conhecimento da verdade” (1Tm 2.4; cf. 2Pe 3.9).

Se esse é o desejo divino, então não faz sentido Deus eleger apenas alguns para a salvação. Diante desse desejo, o fundamento da eleição deve ser alguma outra coisa, em vez da escolha divina selecionando alguns para a salvação e excluindo outros.

O Desejo de Deus

De acordo com seu desejo divino, Deus concede graça preveniente a todas as pessoas pecadoras, restaurando em todas a capacidade de satisfazer às condições da salvação.

Só isso faz sentido, como demonstram os apelos universais da Escritura para que as pessoas sejam salvas: “Vinde a mim todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos darei descanso” (Mt 11.28; cf. Is 45.22).

Esses apelos a todas as pessoas não fariam sentido se a capacidade de aceitar a salvação fosse concedida apenas a alguns: os eleitos.

Por meio da graça preveniente, quando as pessoas ouvem o evangelho, elas reagem com a resposta humana adequada de arrependimento e fé.

Além disso, por causa de sua perfeita presciência, Deus sabe de antemão quais são os que aceitarão a salvação e perseverarão nela. Ele os elege para a salvação. Assim, a eleição é condicional.

Principais erros

1. Qualquer ênfase excessiva na predestinação divina que resulte em uma completa negação da responsabilidade humana pelo arrependimento e pela fé que levam à salvação, e pela falta de fé e pela desobediência que levam à condenação.

O determinismo rígido ignora o ensino bíblico de que os seres humanos são agentes moralmente responsáveis, que respondem por suas escolhas.

2. Em sentido oposto, qualquer ênfase exagerada na responsabilidade humana que resulte em uma completa negação do papel divino na salvação.

Tanto a teologia reformada (ressaltando a graça salvadora) quanto a teologia arminiana (ressaltando a graça preveniente) enfatizam a necessidade da graça para a salvação.

Minimizar ou negar a importância do papel divino na salvação significa desprezar o ensino bíblico de que a pecaminosidade humana só pode ser vencida pela graça de Deus.

3. Qualquer rejeição da doutrina reformada da eleição com base na alegação de que contradiz o desejo declarado de Deus de que todos aceitem a salvação, ou de que constitui um obstáculo ao evangelismo, ou de que seja injusta.

A posição reformada distingue entre o desejo de Deus e a vontade de Deus. Como os dois são coisas diferentes, o desejo de Deus de que todos sejam salvos (um desejo que ele não realiza) é diferente de sua decisão de eleger alguns e não outros.

Além disso, a eleição não pode ser um impedimento para o evangelismo porque, para que os sejam salvos, os eleitos precisam ouvir o evangelho e crer nele.

Quanto à acusação de que a eleição é injusta, a posição da Reforma ressalta que, se Deus fosse agir só com justiça, ninguém seria salvo.

Se Deus quer eleger alguns, levando-os à salvação, isso é um ato da sua graça, que vai além do julgamento e, em vez de punição, concede favor.

4. Qualquer rejeição da doutrina arminiana da eleição sob a alegação de que ela não requer a graça divina ou de que equivale à salvação pelas obras.

Conforme observado no erro principal no item 2, a teologia arminiana enfatiza a necessidade da graça preveniente, que permite que os incrédulos respondam corretamente ao evangelho e perseverem na salvação como os eleitos de Deus.

5. Qualquer atitude de despreocupação ou irreverência em relação à doutrina da reprovação.

Conforme Calvino ressaltou, trata-se de uma “doutrina horrenda”, que trata do destino eterno de nossos ancestrais, pais, irmãos, cônjuges, filhos, amigos, colegas de trabalho, enfim, de multidões.

Considerações Finais Sobre Eleição e Reprovação

A natureza extremamente séria dessa doutrina difícil deve suscitar nos eleitos gratidão eterna por sua salvação.

Por sua vez, Deus não deve ser retratado como um tirano louco, sadicamente destinando os réprobos a uma eternidade no inferno. Afinal de contas, eles são portadores de sua imagem, a quem ele ama.

Para que você possa se aprofundar e continuar seus estudos, leia o nosso próximo artigo, para você ter uma visão mais acurada do assunto indico o livro “50 Verdades centrais da fé Cristã” de Gregg R. Allison que deu origem a este artigo. Deus abençoe, até o próximo texto.

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