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O Pecado

O Pecado é a falta de conformidade com a lei moral de Deus. Pecado original é o estado de todos os seres humanos ao nascerem, sendo sua natureza pecaminosa a raiz de todos os pecados concretos que violam a lei de Deus.

Pecado, como a falta de conformidade com a lei moral de Deus, aplica-se à natureza, às ações, às atitudes, às às obras e às motivações de uma pessoa.

Embora tenham sido criados num estado de bondade, Adão e Eva se rebelaram contra Deus e caíram em pecado. Pecado original é o estado de todas as pessoas quando nascem, proveniente do pecado de Adão.

A natureza pecaminosa é a essência corrupta que caracteriza todos os seres humanos e que dá origem a todos os pecados praticados. Tentação não é pecado, e os atos pecaminosos têm naturezas variadas.

ENTENDENDO A DOUTRINA

Segundo Gregg R. Allison a doutrina do pecado é apresentada nas Escrituras de Gênesis 3 a Apocalipse 19, e é experimentada em todas as esferas da criação — humana, angélica e natural.

O caráter penetrante e perverso do pecado se manifesta de várias maneiras:

  • desobediência, qualquer descumprimento da vontade de Deus;
  • falta de fé, a falta de confiança em Deus e em sua provisão;
  • abominação, qualquer crime hediondo que seja particularmente repreensível aos olhos de Deus;
  • transgressão, uma violação de um mandamento divino ou proibição;
  • autonomia, que é o ato de se colocar como a autoridade final, em lugar de Deus;
  • errar o alvo (a noção mais comum de pecado no Novo Testamento), ou mirar intencionalmente fora do alvo para errar;
  • orgulho, que é ter um conceito de si mesmo mais elevado do que convém;
  • rebelião, uma revolta contra o desígnio de Deus;
  • indiferença ou apatia em relação a Deus;
  • injustiça, qualquer má-fé ou discriminação que faz com que os outros não recebam o respeito e o tratamento que lhes são devidos;
  • desesperança, o abandono precipitado da confiança em Deus e em suas promessas.

De modo geral, o pecado é qualquer falta de conformidade com a lei moral de Deus. Essa desconformidade se aplica:

  • (1) ao ser: natureza pecaminosa, ou tendência a pecar;
  • (2) às ações: más ações, como idolatria e assassinato;
  • (3) às atitudes: sentimentos errados, como inveja e orgulho;
  • (4) às palavras: comunicações inadequadas, como fofoca e calúnia;
  • (5) às motivações: propósitos errados, como a autoglorificação e o desejo de agradar aos outros.

Como Deus é soberano e santo, ele estabelece a lei moral como um reflexo de sua natureza justa, e o pecado é qualquer violação desta lei.

Por exemplo, Deus sempre fala a verdade; então, mentir, que é contra a sua natureza, é proibido, mas as pessoas mentem e, assim, pecam.

Deus não criou o pecado

Pelo contrário, ele criou Adão e Eva em um estado de integridade, em que obedeciam e eram fiéis. Ainda assim, Deus determinou que o pecado entrasse no mundo por meio das escolhas morais (erradas) de suas criaturas.

Os seres angélicos foram criados bons, mas Satanás e muitos outros caíram em pecado, antes que os seres humanos o fizessem.

No jardim do Éden, Satanás apareceu como uma serpente e tentou Eva por meio do engano, e Adão se uniu a ela na rebelião contra a proibição divina de não comer da árvore do conhecimento do bem e do mal.

Esse pecado originário trouxe consequências terríveis para todo o resto da criação.
A consequência para a humanidade é o pecado original, o estado de todas as pessoas ao nascerem.

Essa condição consiste em:

(1) culpa original, a obrigação de sofrer condenação eterna (algumas igrejas negam esse elemento).

(2) corrupção original, a natureza pecaminosa ou a tendência ao mal.

Essa natureza pecaminosa caracteriza todos os seres humanos, desde o momento de sua concepção, e é a fonte de todos os pecados praticados

Algumas igrejas detalham ainda mais essa corrupção como consistindo de: (2a) depravação total, significando que todos os aspectos da natureza humana estão infectados pelo pecado.

E (2b) incapacidade total, referindo-se à ausência de bondade espiritual e a incapacidade de se reorientar, deixando o egocentrismo e voltando-se para Deus.

O pecado original deriva do pecado originário de Adão por causa da solidariedade de todas as pessoas com Adão e sua desobediência.

Quanto à tentação e aos pecados reais, a tentação é qualquer incitação ao pecado que surge da natureza pecaminosa.

A tentação em si não é pecado, mas levará ao pecado se não for freada

Por exemplo, um desejo legítimo de sucesso, manchado pelo pecado, leva um funcionário competente a caluniar os colegas e exagerar suas realizações para ser promovido no trabalho.

O pecado atual pode ser caracterizado como:;

(1) pecados de presunção (pecados intencionais, arrogantes) ou pecados de ignorância (não intencionais) e como

(2) pecados de omissão (não fazer o que deveria ter feito) ou pecados de comissão (fazer o que não deveria ter feito).

As consequências do pecado afetam todos os relacionamentos e realidades

Como, em última análise, é contra Deus, o pecado causa afastamento de Deus, produz inimizade com ele e gera culpa diante dele.

Seu impacto sobre a pessoa se manifesta em egocentrismo, autoilusão e escravidão. O pecado rompe relacionamentos, traz vergonha, estimula a competição, em vez da cooperação, e destrói a empatia.

O impacto do pecado sobre a criação é visto nas dificuldades que enfrentamos no trabalho, nos desastres naturais, como furacões e maremotos, nas doenças humanas e nos problemas genéticos.

O pecado é um assunto muito sério, com consequências devastadoras

Historicamente, a igreja tem visto a solidariedade entre o pecado de Adão e o de toda a humanidade, que procede dele, de três maneiras:

(1) O pelagianismo, que deve seu nome ao monge britânico Pelágio (354- 420/440), nega qualquer relação entre os dois.

O pecado de Adão afetou apenas a ele: nenhuma culpa ou corrupção é transmitida aos seus descendentes.

Na pior das hipóteses, o pecado de Adão dá um mau exemplo para as pessoas, todavia, cada um é responsável por seus próprios pecados.

(2) O agostinianismo e sua contrapartida posterior, a teologia luterana e reformada, opõem-se fortemente ao pelagianismo.

Existe uma solidariedade entre Adão e a humanidade, de tal forma que o pecado dele afeta cada um de seus descendentes.

Cada pessoa nasce em pecado original, que consiste tanto na culpa diante de Deus quanto na corrupção de sua natureza.

Todas as pessoas, portanto, estão condenadas e sujeitas ao castigo eterno, primeiro e antes de tudo porque o pecado de Adão é imputado a elas.

(3) O semipelagianismo sustenta que as pessoas não estão mortas no pecado, mas, sim, enfraquecidas por ele.

Como os seres humanos têm livre- arbítrio, eles não são tão pecadores a ponto de não poderem cooperar com a graça divina para a salvação

Um desdobramento surgido anos mais tarde, (3a) o arminianismo, afirma a doutrina do pecado original, mas também acredita que os efeitos negativos do pecado original estão suspensos para todas as pessoas pela graça preveniente de Deus.

Em um segundo desenvolvimento, (3b) o arminianismo wesleyano sustenta que o pecado original afeta todas as pessoas por causa de sua solidariedade com Adão, e isso inclui sujeição à morte eterna, depravação total e incapacidade total.

No entanto, ele nega que as pessoas sejam condenadas apenas pelo pecado de Adão; algo mais é necessário. Os pecados reais são punidos por Deus.

Além disso, o arminianismo wesleyano defende a ideia da graça preveniente, que remove as deficiências por causa da natureza humana corrupta.

Base bíblica

Embora a Escritura comece com a criação de um mundo bom e com pessoas íntegras que são a imagem de Deus, uma mudança para o pior acontece logo depois.

A narrativa da Queda de Adão e Eva apresenta a tentação de Satanás e o ato de desobediência à proibição de Deus.

A história agora arruinada continua com a proclamação do castigo divino imposto a Satanás, à mulher e ao homem, e também com o casal sendo banido do jardim (Gn 3).

De Gênesis 3 até Apocalipse 19, o domínio e a destruição do pecado são narrados, profetizados, confessados, proibidos por lei e, finalmente, por meio de Cristo, derrotados.

As principais apresentações incluem o Dilúvio como julgamento de Deus contra um mundo saturado de pecado (Gn 6—9), a Torre de Babel como desobediência ao mandato divino (Gn 11).

O pecado de Davi com Bate-Seba e sua confissão (2Sm 11 e 12; Sl 51), a constante desobediência de Israel, que insiste em quebrar a Lei mosaica e não trata com justiça os oprimidos (Is 1; Os).

As abominações de Israel (Ez 8), o confronto de Jesus com os líderes religiosos hipócritas (Mt 23), a batalha para vencer o pecado que habita em nós (Rm 7) e o homem incestuoso de Corinto (1Co 5).

Aspectos particulares da doutrina são tratados: a universalidade do pecado (1Rs 8.46; Ec 7.20; Rm 3.10-18,23), a natureza da tentação (Tg 1.13-15).

O pecado imperdoável (Mt 12.22-32) e a solidariedade entre o pecado de Adão e toda a humanidade (Rm 5.12-21).

Principais erros

1. A negação de qualquer relação entre o pecado de Adão e a humanidade. O pelagianismo foi combatido por líderes como Agostinho (que foi contemporâneo de Pelágio) e condenado pela igreja como heresia.

2. A moderna minimização ou até o repúdio do pecado pessoal, com o reconhecimento da culpa somente como pecado social sistêmico. Um exemplo disso é o movimento do evangelho social.

Embora reconhecer e combater o pecado sistêmico — expresso como racismo, preconceito social ou etário, sexismo e outros mais — seja correto e necessário, essa batalha não pode ser travada separadamente do reconhecimento do pecado pessoal e da necessidade de salvação.

3. As muitas ideias de que a salvação do pecado pode ocorrer por meio de algo diferente do evangelho.

Os exemplos são muitos e incluem legalismo, moralismo, behaviorismo, abordagens terapêuticas e libertação social/econômica/política.

Considerações Finais

Esses métodos não conseguem captar a natureza abrangente e devastadora do pecado, a impotência das pessoas para resolverem o problema e a exclusividade do evangelho como o poder de Deus para efetuar esse resgate.

Para que você possa se aprofundar e continuar seus estudos, leia o nosso próximo artigo, para você ter uma visão mais acurada do assunto indico o livro “50 Verdades centrais da fé Cristã” de Gregg R. Allison que deu origem a este artigo. Deus abençoe, até o próximo texto.

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