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O Poder Transformador Das Escrituras

O poder transformador da Escritura é o efeito multifacetado que Deus, seu autor, gera por meio de sua Palavra. O foco da doutrina do poder da Escritura está em seus efeitos.

Esse poder não é nenhum efeito mágico das palavras (escritas ou faladas) da Escritura, mas o efeito de Deus falando por meio de sua Palavra.

A Escritura pode atuar unilateralmente com seu poder transformador, mas em geral é preciso que os leitores/ouvintes da Escritura confiem, obedeçam e deem ouvidos à Palavra de outras formas cabíveis.

Como a Escritura é inspirada e iluminada pelo Espírito Santo, seu efeito transformador está particularmente associado a ele.

A Escritura é infalível, ou seja, nunca deixa de cumprir o propósito de Deus (embora seus efeitos imediatos possam não ser visíveis).

ENTENDENDO A DOUTRINA

Deus mantém o relacionamento mais íntimo possível com sua Palavra; está totalmente envolvido em sua Palavra. Não há dúvida, Deus age no mundo por intermédio de sua Palavra.

A Escritura é mais do que meras palavras escritas em uma página ou faladas/lidas em voz alta. É mais que discurso. Na verdade, é ato de fala, porque Deus faz coisas com suas palavras.

Deus faz mais do que proclamar palavras por intermédio das Escrituras. Ele realiza certas coisas com suas palavras; realiza atos de fala que produzem um efeito neste mundo.

De fato, “as palavras da Bíblia são um aspecto significativo da ação de Deus no mundo”.
Um ato de fala é um enunciado que consiste em três partes:

  • (1) a locução, o conteúdo que é comunicado;
  • (2) a ilocução, força ou intenção com que é comunicado;
  • (3) a perlocução, a resposta (pretendida) do ouvinte ao ato de fala.

Por exemplo, “agora, eu vos declaro marido e mulher” (locução) é uma declaração (ilocução) que une legalmente um homem e uma mulher em casamento (perlocução).

Esse ato de fala casa aquele homem com aquela mulher. Existem muitos tipos de atos de fala: declarações, ordens, promessas, afirmações, advertências, repreensões, correções e muito mais.

A Consistência das Escrituras Sagradas

As Escrituras consistem em atos de fala divinos em que Deus faz coisas com suas palavras.

Por exemplo, uma carta de Paulo contém a locução: “Não andeis ansiosos por coisa alguma”.

Sua força ilocucionária é uma ordem, e a resposta que se espera é a obediência expressa em cessar a preocupação a respeito de uma determinada situação.

Outro exemplo é a passagem em que João retrata Jesus acalmando seus discípulos com as palavras: “Virei outra vez”.

Sua força ilocucionária é uma promessa, e a resposta esperada é a confiança em meio a muita angústia pessoal.

A Nossa Devida Devoção Pelas Escrituras Sagradas

Ver a Escritura como atos de fala divinos nos permite entender seu poder transformador. Não é nenhum efeito mágico das meras palavras (escritas ou faladas) das Escrituras.

Pelo contrário, o poder é o efeito do Deus das Escrituras fazendo coisas com suas palavras. Além disso, embora Deus possa agir unilateralmente, em geral seus atos de fala envolvem seus receptores em algum tipo de resposta apropriada.

  • Ele declara, e os ouvintes expressam seu louvor.
  • Deus ordena, e obediência é esperada.
  • Ele promete, e a fé se inflama.
  • Deus afirma, e a sã doutrina é confessada.
  • Ele adverte, e o perigo é evitado.
  • Deus repreende, e as pessoas arrependem-se.
  • Ele corrige, e planos são alterados.

Intimamente associado com o poder transformador da Escritura está aquele que a inspirou, agindo em seus autores à medida que escreviam, e que a ilumina, auxiliando seus leitores e ouvintes a entendê-la corretamente.

O Espírito de Deus e a Palavra de Deus estão intimamente ligados na regeneração, na justificação, na santificação e em muito mais.

A Escritura é Infalível

A infalibilidade da Escritura está intimamente relacionada com seu poder transformador: ela nunca deixa de cumprir o propósito intencionado por Deus.

Segundo a teoria dos atos de fala, a falta de resposta ou uma resposta errada (perlocução) não nega a eficácia do conteúdo (locução) e da força (ilocução) de um ato de fala.

Embora seu efeito imediato possa não ser visto, a Escritura, quando lida ou ouvida, sempre cumpre o objetivo que Deus designou para ela.

Principais erros sobre esta doutrina

1. Rejeitar a inspiração da Escritura, o que leva à negação de que o poder divino opera por meio dela. Esse ponto de vista contradiz tanto a própria afirmação da Escritura quanto a posição histórica da igreja.

2. Negar a autoridade e a suficiência da Escritura, o que resulta na exaltação de outros “atos de fala” como supostos agentes de transformação.

Entre os exemplos disso estão a tradição da Igreja Católica Romana e seu Magistério, palavras proféticas ou revelações e experiência pessoal.

Quando esses outros atos de fala ascendem a um nível de autoridade maior que o das Escrituras, seu “poder transformador” eclipsa o da Escritura. Contudo, a grande questão é se o efeito deles corresponde à vontade e à revelação de Deus.

3. Qualquer falha em responder corretamente à locução e à ilocução dos atos de fala de Deus nas Escrituras. Se Deus ordena e não há resposta de obediência, ou se a resposta é a desobediência, estamos desagradando a Deus.

Se Deus promete e não há resposta de confiança, ou se a resposta é a desconfiança, Deus se enfurece. Muitas vezes, essas falhas ocorrem porque a Escritura é vista, erradamente, como simples palavras escritas numa página ou sons que ecoam no ar. Na verdade, ela consiste nos atos de fala de Deus.

Para que você possa se aprofundar e continuar seus estudos, leia o nosso próximo artigo, para você ter uma visão mais acurada do assunto indico o livro “50 Verdades centrais da fé Cristã” de Gregg R. Allison que deu origem a este artigo. Deus abençoe, até o próximo texto.

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