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O que acontece após a morte? O estado intermediário

Primeiramente, o estado intermediário é o intervalo de tempo no qual os mortos aguardam o julgamento final e a ressurreição do corpo.

Durante esse período, a experiência dos justos é muito diferente da experiência dos ímpios. Investigaremos primeiro a experiência dos crentes em Cristo, daqueles que são justos pela fé nele.

A Bíblia é clara ao ensinar que, depois da morte, os cristãos estão imediatamente com Cristo.

Como Cristo está à direita do Pai e o lugar da habitação do Pai é frequentemente chamado de céus nas Escrituras, podemos afirmar que, quando os cristãos morrem, eles vão para o céu.

Porém, o nome do lugar é menos importante do que as pessoas que estão lá: o Pai, o Filho e, sem dúvida, o Espírito Santo também. Paulo diz em Filipenses 1.23 que deseja morrer e estar com Cristo, mais do que viver.

Em 2Corintios 5.8, afirma: “(…) estamos em plena confiança, preferindo deixar o corpo e habitar com o Senhor”.

Recordamos que nosso Senhor, quando estava na cruz, disse ao ladrão arrependido: “Em verdade te digo que hoje estarás comigo no paraíso” (Le 23.43; cf. 2Co 5.8; Hb 12.23; Ap 6.9-11; 7.9-10).

Nas Escrituras, a palavra céu tem vários sentidos

Pode referir-se ao firmamento, a tudo acima da terra. Mas o significado teológico predominante refere-se ao lugar onde Deus habita. É um local real, no espaço e no tempo.

Evidentemente, Deus é imaterial e, portanto, não está limitado a nenhum lugar, nem mesmo aos céus (1Rs 8.27).

Contudo, Deus realmente escolhe lugares para se manifestar de maneira intensa, como o monte Sinai, o tabernáculo e o templo. Quando essas manifestações são visíveis, nós as chamamos de teofanias.

O céu parece ser o lugar no qual Deus manifesta sua presença da maneira mais intensa. De acordo com Hebreus 8.1-2:

“Ora, o essencial das coisas que temos dito é que possuímos tal sumo sacerdote, que se assentou à destra do trono da Majestade dos céus, como ministro do santuário e do verdadeiro tabernáculo que o Senhor erigiu, não o homem”.

O escritor considera esse verdadeiro tabernáculo ou santuário, esse tabernáculo celestial, como o modelo do qual o tabernáculo terreno é apenas uma imagem, uma sombra (Hb 8.5).

Portanto, os sacrifícios do tabernáculo terreno são apenas imagens e sombras do sacrifício de Jesus; os sacerdotes terrenos são apenas imagens do grande Sumo Sacerdote, Jesus, que ministra no tabernáculo celestial.

Jesus subiu aos céus, Pedro nos diz (1Pe 3.22), e se assentou à destra de Deus

O fato de que o sacerdote se assentou indica que a sua obra de expiação está concluída.

Que ele se assenta à destra do trono de Deus significa que ele reina como Rei. Mas ele disse que ia preparar um lugar para nós (Jo 14.2). Ele nos quer lá, com ele.

Isso também é verdadeiro quanto aos crentes do AT. A respeito de Enoque (Gn 5.24) e Elias (2Rs 2.11; cf. Mt 17.3), lemos que não morreram, mas foram imediatamente à presença de Deus.

É improvável que tenha sido diferente com os que morreram. Cf. Salmos 16.10-11; 17.15; 23.6; Mateus 22.32. Mais tarde Elias apareceu com Moisés, que morreu, e Jesus no monte da transfiguração.

Claramente, Moisés e Elias continuaram a viver na presença de Deus, uma vida sem fim. De fato, Jesus conta a história no contexto do AT sobre um homem – Lázaro que morre e vai para o “seio de Abraão” (Lc 16.22-23). Seu rico opressor morre e encontra-se num local de tormento.

Há duas alternativas à doutrina de que os cristãos passam imediatamente à presença de Deus na morte; a meu ver, as duas não são bíblicas.

Uma é a doutrina católico-romana do purgatório; a outra, a doutrina sectária do sono da alma.

Os católicos romanos acreditam que, embora alguns – especificamente grandes santos – passem diretamente para o céu ao morrer, a maioria não é boa o suficiente para o céu.

Portanto, precisamos nos sujeitar a uma purgação (por isso o nome purgatório) antes de entrarmos no céu. Essa purgação inclui sofri mento.

Contudo, a Bíblia não menciona um lugar chamado purgatório, nem um período de sofrimento para os cristãos entre a morte e o céu.

Uma passagem do livro apócrifo de 2Macabeus (12.42-45) sugere algo do tipo, mas os protestantes concordam que esse livro não é parte da Palavra de Deus.

Ainda mais importante, a doutrina do purgatório entra em conflito com o ensino bíblico que Afirma que Jesus já lidou com os pecados dos cristãos de uma vez por todas, nosso sofrimento e boas obras não podem acrescentar nada à obra expiatório de Cristo.

O outro ensino errado a respeito do estado intermediário é a doutrina do sono da alma, defendida pelos Adventistas do Sétimo Dia e por outros grupos.

Nessa concepção, a pessoa morta fica desacordada até o juízo final. De acordo com esses grupos, enquanto o corpo está dormente até a volta de Cristo, também a alma, ou a percepção da pessoa, fica inconsciente até a ressurreição final.

E verdade que as Escrituras usam o sono como uma metáfora para a morte (Mt 9.24: 27.52; Jo 11.11). Todas as culturas hesitam em falar diretamente sobre a morte, por isso hoje dizemos que alguém “faleceu”.

Mas a Biblia distingue explicitamente entre o sono e a morte

Em João 11.11-14, Jesus afirma que seu amigo Lázaro “adormeceu”. Porém, quando os discípulos não entendem e o questionam sobre isso, ele simplesmente responde: “Lázaro morreu”.

O sono é muito parecido com a morte, o suficiente para ser usado como metáfora para ela, mas a Bíblia claramente não considera os dois como a mesma coisa.

Algumas passagens do AT sugerem que aqueles que morrem estão inconscientes. Salmos 115.17 diz: “Os mortos não louvam o SENHOR, nem os que descem à região do silêncio”. Cf. 6.5.

Essa é uma descrição do corpo morto no seu túmulo

Todavia, de modo interessante, o versículo seguinte dá a imagem completa: “(…) nós, porém, bendiremos o SENHOR, desde agora e para sempre”.

Os salmos refle tem um período de revelação no qual Deus não deu a conhecer muitos detalhes sobre a vida após a morte. No entanto, eles a afirmam, como já vimos.

O AT ensina que, após a morte, as pessoas vão para um lugar chamado Sheol, uma morada sombria, para aguardar a vinda de Cristo.

Há evidências bíblicas de que, após sua morte, Jesus levou os habitantes do Sheol com ele para a presença de Deus. Essa é a melhor interpretação de quando Jesus “desceu ao inferno”, como descrito no Credo Apostólico.

De qualquer modo, as Escrituras não ensinam o sono da alma; além disso, é claro, isso é contrário ao ensino das passagens que vimos antes, as quais afirmam que, na morte, o crente passa diretamente à presença do Senhor.

Como é o estado intermediário para os crentes? É difícil responder com detalhes, porque a Bíblia fala pouco a respeito.

O que importa é que nesse estado estamos com o Senhor e o Senhor está conosco – Emanuel, Deus conosco. Esse não é o estado definitivo.

Embora estejamos com o Senhor, ainda há muito por vir

Ao contrário do que geralmente pensamos, os santos no estado intermediário não estão completamente felizes e satisfeitos.

Eles almejam a finalização do plano de Deus. Observe Apocalipse 6.10-11, o qual fala a respeito dos mártires: Clamaram em grande voz, dizendo: Até quando, ó Soberano Senhor, santo e verdadeiro, não julgas, nem vingas o nosso sangue dos que habitam sobre a terra?

Então, a cada um deles foi dada uma vestidura branca, e lhes disseram que repousassem ainda por pouco tempo, até que também se completasse o número dos seus conservos e seus irmãos que iam ser mortos como igualmente eles foram.

Nesse clamor, há um anseio, uma insatisfação santa. Os santos glorificados são perfeitos. Seu clamor não é pecaminoso, mas, como Jesus no jardim, eles se afligem a respeito do curso da vontade divina.

Contudo, Deus lhes assegura que completará toda a sua vontade. Ele é soberano, por isso sabe que outros estão destinados a morrer pelo testemunho de Jesus e ele não os vingará até que seu número esteja completo.

Os santos no céu são imateriais ou de algum modo, materiais?

Tendemos a pensar que são desencarnados, imateriais, porque, obviamente, seus corpos materiais estão no túmulo.

Porém, especialmente pelo conceito bíblico de seres humanos como físicos e espirituais, é difícil imaginá-los vivendo num estado desencarnado.

Certamente, se o fazem, é uma imperfeição, não uma perfeição. Tendemos a pensar no estado desencarnado como um tipo prazeroso de existência; muitas vezes nosso corpo parece nos puxar para baixo.

Todavia, nas Escrituras, o corpo é algo bom. O que aguardamos com expectativa, de que acordo com a Bíblia, é a ressurreição do corpo, não uma vida desencarnada.

Adicionalmente, não creio que as Escrituras descartem a possibilidade de Deus nos dê um corpo temporário no estado intermediário.

Alguns entendem que 2Coríntios 5.1-10 ensina que o tabernáculo do corpo será substituído no céu por roupa celestial (descrita na metáfora de uma casa ou edifício).

Onde estão os ímpios no estado intermediário?

Em tormento, esperando o juízo. A meu ver, a história de Jesus sobre o homem rico e Lázaro não é apenas uma história.

Ela representa a visão do próprio Jesus sobre como a vida após a morte realmente é. O pobre está no seio de Abraão. O rico está em tormento, sem misericórdia. Ninguém pode cruzar de um lado para o outro.

Esse fato nos ensina que, embora o juízo final permaneça no futuro, nosso destino eterno é definido na morte. Depois da morte, ninguém pode mudar de justo para ímpio, nem pode um ímpio se arrepender do pecado e ser aceito por Deus.

Para que você possa se aprofundar e continuar seus estudos, leia o nosso próximo artigo, para você ter uma visão mais acurada do assunto indico o livro “Teologia Sistemática” de John Frame que deu origem a este artigo. Deus abençoe, até o próximo texto.

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