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Perspectivas sobre a aplicação da redenção de Cristo na vida do cristão

Minha análise da aplicação da redenção segue a ordo salutis tradicional de um modo geral. Porém, penso que há outra maneira de ver essas bênçãos, que é mais útil para percebermos sua relação.

Nenhum leitor deste artigo ficará surpreso ao descobrir que essa abordagem tem três perspectivas.

A culpa é a nossa situação legal, que implica que violamos a lei de Deus, por isso a caracterizo como a perspectiva normativa. A punição é a consequência da culpa, pela qual Deus estabeleceu o curso da natureza e da História contra o pecador.

E uma mudança no nosso ambiente natural que traz dor, sofrimento e frustração, o aspecto situacional da nossa condição caída. A corrupção é o pecado contínuo em nós mesmos, e seus efeitos dentro de nós, a perspectiva existencial.

Na justificação, Deus lida com a nossa culpa e nos declara justos por causa de Cristo

Na adoção, Deus nos fornece um novo ambiente, uma nova família. Ele nos torna herdeiros de Cristo e, com ele, senhores da criação.

Na regeneração, conversão e santificação, Deus lida conosco de maneira interior, dando-nos um novo coração. A medida que crescemos na graça, obtemos cada vez mais a habilidade de dizer não ao pecado.

Um esclarecimento importante: ao colocar essas bênçãos em três perspectivas, não estou alegando que eles são, em última análise, idênticos. A teologia protestante sempre insiste, com boa razão, por exemplo, que a justificação nunca deve ser confundida com a santificação, nem vice-versa.

Esse, de fato, é um aspecto importante do conflito entre as doutrinas protestante e católica da justificação, que analisaremos quando chegarmos a esse tema. Todavia, quero insistir que nenhuma dessas bênçãos funciona de maneira correta sem as outras.

É impossível imaginar alguém regenerado e santificado no sentido bíblico, mas não justificado. Ou alguém adotado e filho de Deus, mas não justificado ou regenerado.

E é impossível imaginar que alguém possa ser justificado sem ser convertido

Isso quer dizer que, visto que somos justificados pela fé somente, não podemos ser justificados a não ser que o Espírito tenha gerado fé em nosso coração, e a fé vem pela regeneração.

Portanto, assim como o pecado é um transtorno da nossa posição legal, da nossa relação com nosso ambiente e da nossa vida interior, do mesmo modo a redenção lida exaustivamente com todos esses aspectos da vida para nos levar a uma vida amplamente justa.

A vocação não pertence a uma perspectiva ou outra. Antes, ela serve como nossa entrada a todas as perspectivas.

Para que você possa se aprofundar e continuar seus estudos, leia o nosso próximo artigo, para você ter uma visão mais acurada do assunto indico o livro “Teologia Sistemática” de John Frame que deu origem a este artigo. Deus abençoe, até o próximo texto

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