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Reconstruindo o Coração – Taxa de Bagagem Emocional

Lembra-te da minha aflição e do meu pranto, do absinto e do veneno. Minha alma, continuamente, os recorda e se abate dentro de mim. Quero trazer à memória o que me pode dar esperança. Esperança de auxílio pela misericórdia de Deus. As misericórdias do Senhor são a causa de não sermos consumidos, porque as suas misericórdias não têm fim; renovam-se cada manhã.

Grande é a tua fidelidade. A minha porção é o Senhor, diz a minha alma; portanto, esperarei nele. Bom é o Senhor para os que esperam por ele, para a alma que o busca. Bom é aguardar a salvação do Senhor, e isso, em silêncio. Lamentações 3.19-26
Foi G. K. Chesterton quem disse certa vez que a tendência do bem sempre é em direção à encarnação.

Com isso, ele queria dizer que o indescritível deve tornar-se descritível, que o inefável deve tornar-se exprimível. Chesterton estava descrevendo as artes e a filosofia, mas quero levar este princípio um passo adiante: A tendência da história sempre é em direção a maior revelação.

A Encarnação de Cristo, o Filho de Deus o verbo se fez carne — é uma característica notável da teologia cristã

Simplesmente não há nada semelhante em nenhuma das demais religiões do mundo. O que acho fascinante nisso é o fato de que esse dado é coerente com a autorrevelação de Deus na história.  Deus sempre move a história em direção a maior revelação, maior luminosidade, maior glória

Ele está levando o homem pela estrada chamada Revelação, com paradas de descanso de iluminação e santificação pelo caminho.
Obviamente a Palavra se fez carne e habitou entre nós (João 1.14): maior luz leva a maior revelação, que leva a maior clareza do caminho para maior glória. Toda a redenção é um movimento da ira para a graça. É por isso que a chamamos graça; ela pressupõe a ira.
Como já observamos, o homem foi criado à imagem de Deus, mas renunciou a esta glória ao procurar outra glória, que ele mesmo queria definir. Esta glória revelou-se equivalente a trocar um banquete cuidadosamente planejado à mesa do Rei por migalhas à mesa dos escravos. Adão e Eva criam-se livres para explorar os desejos egoístas de seu coração.

Em vez de confiar em Deus com suas emoções, desejos, vontade e pensamentos, confiaram na serpente e trouxeram ruína absoluta à raça humana. O que começou com a graça logo se tornou um movimento da história que parte da ira e segue para a graça.
No centro de tudo isso está o fato de que parte da ruína do pecado é a cicatriz emocional que aparece na vida.

Temos taxas de bagagem emocional e são caríssimas

Temos depressão e ataques de raiva, luxúria e tristeza, e essas coisas nos oprimem, muitas vezes desgastando-nos a tal ponto que simplesmente não conseguimos agir.
Esta bagagem pode subjugar-nos como Jeremias descreveu em Lamentações 3.

  • Podemos ser:
  • afligidos (v. 1),
  • levados a andar em trevas (v. 2),
  • envelhecidos na carne e na pele (v. 4).
  • Podemos sentir-nos isolados e solitários como em grilhões (v. 7).
  • Nossa bagagem emocional pode fazer-nos sentir-nos desamparados, como a presa de um urso ou leão (v. 10).
  • Às vezes, é como se todos escarnecessem de nós (v. 14),
  • e nos fartamos de amarguras (v. 15).

Você já se sentiu tão mal que o único modo de descrever a sensação é “quebrou os meus dentes com pedras”? Jeremias, sim (v. 16). A Bíblia está repleta de experiência e expressão de emoções e faríamos bem em reconhecê-las.

Como nos ensinou Salomão há tempo para tudo debaixo do sol (Eclesiastes 3.1-8)

Há tempo de lamentar e tempo de regozijar. Há tempo de júbilo e alegria, e há tempo em que enfrentamos completo desânimo. Embora seja verdade que sempre há tempo e lugar para essas emoções, isso não quer dizer que experimentar a emoção seja algo mau em si mesmo.

Mais uma vez, como dissemos, somos pessoas inteiras com corpos inteiros e com um evangelho inteiro para lidar com tudo isso. E isso quer dizer que nossas emoções têm de funcionar em harmonia com nossas demais faculdades a fim de trazer glória a Deus.
Para reiterar: não temos de elevar a mente acima das emoções, o cérebro acima do coração.

Fomos feitos à imagem de Deus, o que quer dizer que somos criaturas pensantes, senscientes e agentes. Exaltar uma dessas características igualmente centrais em contraste com as outras é reembalar a filosofia grega e chamá-la de cristã. E, com a máxima ênfase, isso não é cristão.

O grande plano de Satanás era o redirecionamento da adoração, da afeição e da ambição do homem de algo teocêntrico para algo egocêntrico.

Antes de avançar, precisamos de uma definição do que significa emoções.

Em síntese: emoção é simplesmente o modo da alma de compreender ou interpretar uma situação. Quando uma pessoa se preocupa com uma coisa particular, o corpo responde à coisa tanto de modo somático quanto psicossomático. “Somático” refere-se simplesmente à fisiologia do corpo (gr. soma).

Psicossomático normalmente se refere à mente. Em outras palavras, quando vivência algo, você tem sentimentos que levam a emoções, que levam à ação. E isso envolve aspectos materiais e imateriais (metafísicos) de nosso corpo. Os sentimentos tendem a ser nossa percepção de algo, muitas vezes de modo binário: a coisa é boa ou má, quente ou fria, divertida ou não.

“Sentimentos” normalmente são nossas percepções sensíveis imediatas do que está acontecendo a nosso redor (ou também em nós).

Amiúde, sentimentos e emoções são usados como sinônimo, mas devem ser distinguidos em alguma medida. Sentimentos, pode-se dizer, são o pré-requisito da emoção: pavimentam o caminho para uma experiência mais profunda, mais difusa de algo.

Uma coisa é ver algo como uma situação ruim, reconhecendo que é verdadeiramente má; outra coisa inteiramente diferente é passar por aquela situação pessoalmente (por exemplo, ver um acidente de carro versus estar no acidente).

As emoções normalmente são duas coisas:

  • 1. Surgem a fim de ajudar-nos a reagir;
  • 2. Ajudam-nos a estar preparados e alertas.

Dada a complexidade do corpo humano, podemos estar certos de que ninguém realmente sabe onde o metafisico encontra o físico. Não sabemos de fato onde nossa experiência emocional encontra o trauma e a angústia físicos que experimentamos nas entranhas. Quando você está deprimido, sente em sua alma e sente no seu corpo real.

Mais uma vez, isso acontece porque somos pessoas inteiras. Emoções são dadas por Deus e podem ser uma dádiva maravilhosa. Ouvir atentamente a sua amiga descrever o turbilhão por que ela está passando deve ajudá-lo a ser empático em sua resposta. Lembre-se: emoções nos preparam para a ação e ajudam-nos a reagir a uma experiência.

Sua empatia em responder a alguém em necessidade é um recurso maravilhoso para viver no mundo de Deus, algo que provavelmente devemos cultivar mais do que costumamos. Todavia, emoções não são neutras e ou servirão ao fim da glória de Deus, ou não, o que quer dizer que essas emoções podem estar em situação pecaminosa.

Ora, emoções são instrumentos complexos

Você pode, num momento, experimentar um turbilhão de emoções. Você pode sentir empolgação, nervosismo, admiração e incerteza. É bem possível ter emoções mistas, e isso porque somos pessoas que provêm da Pessoa. Deus é a Personalidade Absoluta que pensa, sente e age. O próprio Jesus teve emoções mistas!

Contudo, o modo como lidamos com a complexidade é desenvolvendo a maturidade e o domínio próprio necessários para entendê-las, o que quer dizer que podemos então manejá-las adequadamente. Queremos usar nossas emoções, não que nossas emoções nos usem.
O propósito das emoções é realmente bem simples.

Deus nos deu emoções a fim de comunicar (especialmente coisas que são importantes para nós), ajudar a relacionar-nos uns com os outros, mover-nos em direção à ação virtuosa no mundo, e ajudar-nos a adorar a Deus. A essência do homem não é a emoção, mas temos emoção. Mais uma vez, somos pessoas inteiras. Temos, no entanto, de usar nossas emoções de maneira santa.

O título desta mensagem é “Taxas de bagagem emocional”, este nome é pertinente porque estamos lidando com todos os modos de como nossa experiência da emoção. Por exemplo, às vezes, encontramo-nos num estado de: desapontamos em

Negação:  “Não posso ficar aborrecido ação, afinal, não é um fardo que tenha com esta situ- que carregar”.

Minimização: “Nem me sinto tão mal quanto a isso”.

Culpa: “De todo modo, foi mesmo culpa dela”. Racionalização/intelectualização: “Não devia me sentir assim, afinal, há uma explicação lógica por que isso aconteceu”.

Distração: “Não me permitirei sentir-me assim, então me manterei ocupado fazendo outra coisa”.

Hiper-reação/hostilidade: “Sinto-me traído, então vou me vingar”.

Projeção: “Em minha amargura para com esta pessoa, vou acreditar que ela me odeia”.

Todas essas reações carecem de maturidade e, por isso, de domínio próprio

Uma das melhores maneiras de mostrar autocontrole é parar e perguntar: “O que Deus requer de mim neste momento?” Como Deus quer que eu pense neste exato momento? Como ele quer que eu me sinta? O que as minhas emoções atuais dizem sobre mim? O que as minhas emoções atuais dizem sobre a minha visão de Deus?

O que as minhas emoções atuais estão me dizendo sobre esta pessoa que sou chamado a amar e servir? Se puder fazer essas perguntas e respondê-las adequadamente, você terá a capacidade de ver claramente e responder de modo piedoso. E não confunda: domínio próprio está no centro de tudo isso.

Deus quer que respondamos às coisas emocionalmente, mas com a emoção certa, não com a errada. Isso quer e pessoas dizer que maduras. temos de ser emocionalmente saudáveis.

Para lidar com as taxas de bagagem e sua especulação confusa quanto a infligir dano a nós mesmos e a outros, é preciso lembrar que temos de amadurecer. Temos de amar a Deus com nossa mente, corpo, coração, alma, força e emoções (Deuteronômio 6.4-7; Mateus 22.37-40; Marcos 12.30-31, e Lucas 10.27).

Deus quer que sejamos maduros e mostremos padrões emocionais saudáveis que reflitam o Senhor Jesus Cristo. Às vezes, essa emoção é ira, às vezes é alegria pura. De todo modo, a emoção tem de ser saudável, eticamente pura e alinhada com as Escrituras.

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