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Reconstruindo o Coração (Ambientalismo)

Quando ouviram a voz do Senhor Deus, que andava no jardim pela viração do dia, esconderam-se da presença do Senhor Deus, o homem e sua mulher, por entre as árvores do jardim.

E chamou o Senhor Deus ao homem e lhe perguntou: Onde estás? Ele respondeu: Ouvi a tua voz no jardim, e, porque estava nu, tive medo, e me escondi. Perguntou-lhe Deus: Quem te fez saber que estavas nu?

Comeste da árvore de que te ordenei que não comesses? Então, disse o homem: A mulher que me deste por esposa, ela me deu da árvore, e eu comi. Disse o Senhor Deus à mulher: Que é isso que fizeste? Respondeu a mulher: A serpente me enganou, e eu comi. Gênesis 3.8-13

A Culpa

Como vimos a culpa e responsabilidade andam juntas, porque incorre-se em culpa quando a responsabilidade é abandonada. Quando Adão e Eva escolheram negligenciar sua responsabilidade de trabalhar e cuidar do jardim em obediência a Deus, incorreram em culpa por terem transgredido a lei de Deus.

Este impulso autônomo está no centro de todo o pensamento e filosofia pagãos. Com Deus e sua aliança deixadas de lado, a supremacia do homem inexoravelmente se seguirá. De fato, a grande antítese da história é a interminável disputa de tronos e de poder: Quem está no comando? A quem eu respondo?

O homem está no controle e, portanto, é soberano, ou é Deus o soberano nesta relação? A futilidade das tentativas do homem de destronar a Deus se mostram no reavivamento do paganismo, especialmente na tentativa pagã de aplacar a consciência culpada do homem.

Um dos primeiros modos pecaminosos com que o homem tenta aliviar sua culpa é acusar o ambiente. Pensem no incidente do fruto proibido no Éden. Quando Deus perguntou a Adão acerca de sua nudez e se ele havia comido do fruto proibido, Adão respondeu:

“A mulher que me tu deste por esposa, ela me deu da árvore, e eu comi”.

A malícia no coração de Adão agora está à vista de todos. Em sua culpa, Adão tentou aliviar a consciência ao culpar as dádivas aparentemente deficientes de Deus. Eva, a quem Adão recebera como um presente grandioso, agora era acusada da má decisão de Adão.

Para não ficar atrás, quando lhe perguntaram a mesma coisa, Eva decidiu culpar a serpente que a tinha enganado. Ambas as partes alegaram que o ambiente era a causa da transgressão, e assim ambas as partes ignoravam sua culpa moral e individual pelo pecado.

O próprio paganismo crê no que chamamos de “universo fechado”. Que o homem existe num universo impessoal e indiferente é a característica predominante do pensamento pagão. Se não há uma personalidade soberana governando o homem, tampouco deve haver um universo pessoal.

Um universo impessoal quer dizer que não há sentido e, por conseguinte, nem prestação de contas. Sem significado, o homem está livre para culpar o ambiente, afinal, “a evolução me fez assim”. Sem prestação de contas, o homem está livre para determinar seu próprio propósito, afinal, a evolução naturalista não tem propósito.

Este pensamento do universo fechado quer que a terra é tudo que temos, e que a morte é o fim de tudo. O acaso nos governa e o destino é seu criado. A crença pagã nesse absurdo requer uma boa medida de filosofia ambiental.

Se somos simplesmente bolsas de protoplasma e neurônios incandescentes, produtos do tempo e do acaso agindo sobre células e matéria, então o que quer que aconteça é resultado de uma cadeia de ser relativizada em que tudo tem de ser autodeterminado em vez de determinado por Deus.

Mas a Bíblia não fala de algo assim

O Deus da Bíblia afirma sua superioridade na história e através da história. Ele é o Criador do mundo. Cada átomo e molécula se move regido pela Soberania de Jeová. Este não é um universo regido pelo acaso; é um universo governado por um Deus pessoal. Sua soberania sobre o tempo e através do tempo resulta no que os teólogos chamam de “causas primeiras e segundas”.

Deus nos deu liberdade para escolher aquilo que ele predestinou. Somos livres como criaturas secundárias, inteiramente derivadas para mover-se na história com propósito e significado, mas este movimento só pode se dar até o grau em que reconhece e louva o Senhorio de Jesus Cristo.

Ainda assim, isso também quer dizer que o Deus tripessoal tem uma lei anexada a sua pessoa. Para ser soberano, ele há de ter uma palavra-lei, e temos isso na Bíblia. Este fato sozinho erradica completamente qualquer possível missão de sucesso da usurpação de Deus pelo homem.

O homem tentará livrar-se de Deus e revoltar-se-á contra a maturidade que Deus requer dele; entretanto, isso será inteiramente vão, pois o é uma criatura finita. Notícia urgente: somos homem coadjuvantes.
A criaturalidade do homem quer dizer que o homem é responsável e culpável diante de Deus e sua lei. Ele não pode culpar o ambiente por seus apuros.

Como pergunta Tiago 4.1: “De onde procedem guerras e contendas que há entre vós?

De onde, senão dos prazeres que militam na vossa carne?”. Não é o que entra no homem que o contamina, é o que sai: é o que vem do coração – o centro do homem que o mancha e contamina. Não somos primeiramente produtos de nosso meio; fomos criados para criar, produzidos para produzir, causados para causar. Somos seres pessoais que provêm de um Ser Pessoal.

Ora, vejamos na prática como o ambientalismo tende a funcionar. Você pode ter crescido numa casa terrível: pais abusivos, promíscuos ou viciados. Abuso verbal, emocional ou físico pode ter marcado sua infância. Maridos que exploram as esposas, esposas que exploram maridos são esses os ambientes que muitas pessoas cresceram.

Talvez seus pais jamais lhe tenham ensinado a lidar com conflitos ou a administrar dinheiro. Talvez um valentão o importunasse na escola. É bem possível que alguma forma de abuso sexual tenha acontecido em sua infância. No entanto, esses pecados abomináveis não devem ser vistos como coisas que determinam quem você é.

O pagão vê o homem como produto do caos e de seu ambiente

A doutrina cristã ensina que o homem é produto do Deus vivo, feito à sua imagem. Nosso ser e natureza são determinados por Deus, não autodeterminados. Esta distinção é absolutamente necessária para lidar com emoções, compulsões e provações. Não fomos feitos à imagem de nosso ambiente.

Não é necessário dizer que temos de lidar com questões relacionadas à família de origem. Você tem de lidar com o fato de que foi traído por alguém, ferido por alguém, talvez esmagado por alguém. Em algum momento, você foi afetado pelos pecados de alguém.

Famílias podem ser grandes bênçãos ou terríveis maldições, a depender da santidade de seus membros. Dito isso, não devemos desacreditar ou subestimar aquelas circunstâncias “ambientais”. Em vez de pô-las de lado, ignorando-as ou fingindo que não existem, precisamos ser capazes de filtrá-las por meio de uma teologia apropriada.
Sejamos ainda mais práticos por um momento.

Em vez de transferir a culpa de tudo a nosso ambiente, vamos, ao contrário, abraçar o ambiente, sabendo que desde o princípio Deus estava e está no controle. Essas coisas nos moldam, sem dúvida, e seríamos sábios em percebê-las. Eis aqui uma lista não exaustiva de possíveis fatores ambientais que formaram sua maturidade emocional, ou a falta dela:

Família

Seus pais fizeram muito por você, então você lhes deve tudo; assim, aquilo que você devia considerar uma boa dádiva de Deus se torna um ídolo. Ou talvez o “nome” da família tenha sido uma fonte tão inesgotável de foco, que Você mente buscava agradar seus pais, não constante- importa custo, independentemente do que você julgava ser verdade ou sentia ser o certo.

Você jamais conseguiu realmente agradá-los, então você é esmagado pelo peso da performance. Sua família ganha prioridade em detrimento do Reino. Ou talvez o inverso seja verdadeiro: você cresceu numa família desunida, com abuso e discussões, uma “família” disfuncional, que nunca conseguiu deixar as coisas em ordem. Até hoje isso o incomoda. a que

Relacionamentos

Você não confia nas pessoas. do Nunca. Isso acontece porque as pessoas já o decepcionaram tantas vezes que você resolveu se preservar. Você não pode compreender mais nenhuma ferida emocional, então você não permite que ninguém se aproxime.

O oposto também pode ser verdade: você anseia tanto por amizade que está disposto a dizer qualquer coisa para qualquer um, mas ninguém conhece você de verdade.

Sucesso

A corrida de ratos para ter coisas maiores, melhores e mais caras é o que o move. Você chama isso de progressos pós-milênio, mas na verdade é ganância. Você quer ganhar muito dinheiro porque quer provar alguma coisa para seus pais, seus amigos, seu falso deus.

Em vez da fidelidade do Reino, você está atrás de seu próprio reino. Isso também pode ter uma disfunção oposta: você é preguiça e negligente, nunca termina as coisas por que nunca aprendeu seu propósito no Reino de Deus.

Sexo

Talvez seus pais nunca lhe tenham ensinado algo, e você sempre cresceu pensando que a sexualidade era um tema terrível de ser discutido. Esta confusão pode o ter levado a explorar sua sexualidade de maneira pecaminosa e isso destruiu sua autoestima.

Devido ao seu passado, a frustração sexual se estabeleceu e, como resultado, você é incapaz de aproximar-se de seu cônjuge. Suas expectativas falsas o levaram a visões falsas de homens e mulheres e a luxúria o consome.

Conflito

Você cresceu numa casa passiva, o que quer dizer que o conflito tinha de ser evitado a todo custo. Você fazia de tudo para agradar as pessoas a fim de escapasse que elas gostassem de você e, assim, você da ira delas.

Ou talvez você tenha crescido numa casa barulhenta, em que todos gritavam o tempo todo e a resolução dos conflitos parecia mais uma briga de foice.

De todo modo, você não tem pista de como ser um pacificador ou como reconhecer seu pecado e ajudar a ignorar o pecado nos outros. Mateus 18 não significa nada para você.

Ira

A pessoa emocionalmente frágil enlouquece ao menor sinal de alguma instabilidade percebida. Você ama o controle e no minuto em que sente falta dele, perde a cabeça e o vulcão entra em erupção. Você não sabe como falar com mansidão porque ninguém nunca falou assim com você.

Às vezes, você se entrega ao sarcasmo e ao diz-que-diz-que porque tem medo de sua ira, por causa do que você fez com ela. Há dezenas e dezenas de coisas que podíamos observar, e essa lista mal arranha a superfície. A questão, no entanto, é bem clara.

Questões da família de origem de fato nos afetam de maneiras que muitas vezes nem percebemos. O modo como nossos pais agiam e reagiam nos dá uma perspectiva inconsciente de como as coisas deveriam ou não deveriam ser.

Por exemplo, seus pais eram passivos e nunca falavam de problemas, então você presume que este é o único modo de tratar das coisas. Você entende o quadro.

O motivo por que precisamos ter uma visão saudável de nosso ambiente, seja sua família de origem, seu estágio de vida atual, seus relacionamentos, etc., é que nossas emoções são singularmente conectadas a essas experiências e essas experiências tendem a moldar-nos de maneiras que normal- mente não prevemos.

O filho cuja insegurança o leva a buscar aprovação dos pais habitualmente ausentes terá impacto so- bre ele à medida que crescer. Gostemos ou não, todos temos bagagem emocional e todos somos influenciados em grande medida por nosso ambiente.

No entanto, uma coisa é identificar esses problemas, outra coisa é lidar com eles

Como deveríamos começar a tratar-nos à luz da revelação recém-descoberta? A primeira coisa que sugiro é lembrar dos fundamentos teológicos do que acabamos de abordar: o ambiente é soberanamente orquestrado por Deus o bom e o mau – e Deus deseja nosso amadurecimento por meio das lutas.

O mal deve ser visto como mal, e crescer significa saber a diferença. Esses problemas não são problemas intocáveis, são problemas que Deus pode e vai resolver. Quando pecou, Davi não culpou aos outros; seu arrependimento foi profundo, e isso porque, em última análise, seu pecado foi contra Deus (Salmo 51.4).

Pode-se dizer o mesmo dos pecados dos outros que nos afetam. São, em primeiro lugar, pecados contra Deus, só depois é que são contra os outros. Se você tem amargura no coração para com sua família ou seu cônjuge, a única saída é o arrependimento e o perdão, e isso vai exigir muito trabalho.

Outra coisa que sugiro é dedicar tempo para sentar-se com um bom amigo que esteja disposto a ouvi-lo e ajudá-lo a examinar as lutas emocionais que você está experimentando.

Você não conhece alguém realmente até que lhes tenha feito a seguinte pergunta: “Como é conviver comigo?”. Esse tipo de humildade e transparência é muito difícil, porque exige de nós abertura para o exame. E ninguém gosta de ficar vulnerável desse jeito.

Conclusão

A saída da armadilha emocional de seu ambiente é lidar com Deus primeiro, confessando qualquer pecado sem arrependimento, e, segundo, examinando a luta com um amigo disposto a potencialmente feri-lo.

Lembre-se: esta é a fidelidade segundo a Escritura (Pv 27.6). Examinar o ambiente em vez de culpá-lo é fundamental para um coração sadio.

Em tudo que sentimos toda consternação e alegria, mágoa e felicidade devemos entregar-nos ao pensamento e ao sentimento bíblicos. Nenhum ambiente é tão mau que Deus não possa sobrepujar. Nenhuma educação é tão má que você não possa trabalhar em Cristo para seguir uma rota diferente.

Nenhuma mágoa é tão profunda que impeça seu Salvador de compadecer-se por você. Nenhuma cicatriz emocional é tão ruim que o bálsamo de nossa união com Cristo não possa curar.

Você não é um produto de seu ambiente: é um ser humano feito à imagem de Deus, e Cristo veio para garantir que essa imagem seja plenamente restaurada.

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