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A Canonicidade das Escrituras

O cânon da Escritura, ou a lista dos escritos que fazem parte da Palavra de Deus inspirada, é composto de 66 livros. A doutrina da canonicidade da Escritura diz respeito à lista dos escritos que fazem parte da Palavra de Deus inspirada.

O cânon da Bíblia protestante consiste em 39 livros no Antigo Testamento e 27 no Novo Testamento. O cânon da Bíblia católica romana contém material adicional — os escritos apócrifos — no Antigo Testamento; o Novo Testamento é idêntico ao da Bíblia protestante.

A Canonicidade da Bíblia Sagrada

De modo geral, a Bíblia ortodoxa oriental contém até mais material adicional no Antigo Testamento que a católica romana; o Novo Testamento é idêntico ao da Bíblia católica romana e ao da Bíblia protestante.

A Bíblia hebraica nunca conteve os escritos apócrifos. Portanto, a Bíblia de Jesus e dos apóstolos era igual à Bíblia protestante. Antes de Agostinho, a igreja não aceitava os escritos apócrifos.

Os reformadores protestantes rejeitaram os escritos apócrifos, retornando ao cânon da Bíblia de Jesus e dos apóstolos e à tradição da igreja primitiva.

O Concílio de Trento, convocado pela Igreja Católica Romana, proclamou oficialmente os escritos apócrifos como canônicos e condenou a sua rejeição por parte dos protestantes.

Os escritos apócrifos desenvolvem a ideia de purgatório, orar pelos mortos e salvação por mérito.

ENTENDENDO A DOUTRINA

Quais escritos pertencem à Bíblia? Essa é uma questão crucial da canonicidade da Escritura. A palavra “cânon”, usada metaforicamente, significa “lista”

O cânon bíblico, então, é a lista dos livros que Deus queria que fossem incluídos em sua Palavra inspirada e dotada de autoridade.

Uma das principais diferenças entre a Igreja Católica Romana e as igrejas protestantes é o cânon das Escrituras. Essa diferença não diz respeito ao Novo Testamento; as tradições têm os mesmos 27 livros.

A divergência surge com relação ao cânon do Antigo Testamento

A Bíblia protestante consiste em 39 escritos, enquanto a Bíblia católica romana contém, além desses 39 livros, alguns materiais adicionais.

Esse material adicional é composto dos escritos apócrifos, ou, simplesmente, os Apócrifos: sete livros extras — Tobias, Judite, Sabedoria, Eclesiástico (observe que o final da palavra é diferente), Baruque e 1 e 2Macabeus — e acréscimos a Ester e Daniel.

A igreja herdou suas “sagradas letras” (2Tm 3.15) dos judeus, e a Bíblia hebraica era composta dos mesmos livros encontrados no Antigo Testamento protestante.

Em comparação com o Antigo Testamento protestante, o modo como esses escritos são agrupados e a ordem na qual aparecem é diferente na Bíblia hebraica, mas o conteúdo é idêntico.

Numa época anterior ao nascimento de Cristo, a Bíblia hebraica foi traduzida para o grego — a Septuaginta, também conhecida pela abreviação LXX — e continha escritos não incluídos nas Escrituras hebraicas.

Assim, uma versão mais longa do Antigo Testamento acabou circulando na igreja primitiva, cujos membros, em sua maior parte, falavam a língua grega. Os líderes da igreja faziam distinção entre os livros canônicos e esses livros adicionais.

Na verdade, muitas das listas das Escrituras canônicas do Antigo Testamento que a igreja primitiva produziu incluem apenas os escritos encontrados na Bíblia hebraica e negam explicitamente que os Apócrifos façam parte do cânon.

Comissionado em 382 para produzir uma nova tradução latina da Bíblia, Jerônimo (c. 345-420) trabalhou a partir da Bíblia hebraica, e não da

Septuaginta

Sua lista de escrituras canônicas do Antigo Testamento incluía apenas os escritos da Bíblia hebraica.

Ao considerar os escritos apócrifos como não canônicos, Jerônimo alertou que, embora os escritos apócrifos possam ser lidos para a edificação da igreja, não devem ser usados para formulação doutrinária.

A intervenção de Agostinho foi decisiva

Ele considerou os Apócrifos como canônicos porque o Espírito Santo havia falado por meio dos escritores da Bíblia hebraica e dos tradutores da Septuaginta.

Assim, as duas versões eram divinamente inspiradas e tinham autoridade. A posição de Agostinho prevaleceu sobre a de Jerônimo quanto a traduzir os escritos apócrifos da Septuaginta e incluir essas traduções na Vulgata latina.

Esse Antigo Testamento, juntamente com a tradução latina do Novo Testamento feita por Jerônimo, circulou e tornou-se amplamente conhecido.

Desse modo, os escritos apócrifos foram incluídos no cânon da Bíblia da igreja. Essa Vulgata latina expandida seria a Bíblia da igreja durante os mil anos seguintes.

Quando se reuniam para adorar, os primeiros cristãos liam não apenas as “sagradas letras” dos judeus — as Escrituras originais da igreja —, mas também os escritos dos apóstolos.

Quatro relatos da vida e do ministério de Jesus, uma história da igreja apostólica, cartas e um apocalipse (visão do futuro) foram tidos em alta consideração durante as primeiras décadas da igreja.

Por fim, 27 desses textos foram reconhecidos como os escritos inspirados e dotados de autoridade do Novo Testamento.

Para reconhecer a correta pertinência desses escritos canônicos, a igreja foi auxiliada por dois critérios:

1. Apostolicidade

O autor desse texto foi um apóstolo (p. ex., Mateus, João) ou alguém associado com um apóstolo (p. ex., Lucas em parceria com Paulo, Marcos em parceria com Pedro)?

2. Antiguidade

A igreja, historicamente, reconheceu a voz de Deus falando nesse escrito? A maioria dos escritos no Novo Testamento em formação teve sua canonicidade reconhecida desde o princípio, e a primeira lista de todos os 27 escritos data de 367.

Assim, por meio de um processo histórico relativamente longo, o Antigo Testamento e o Novo Testamento se tornaram a Palavra de Deus para a
para a igreja.

A questão do cânon da Escritura ressurgiu na Reforma

Os protestantes insistiam que o Antigo Testamento da igreja deveria corresponder à Bíblia hebraica mais curta, não à Septuaginta, com seus escritos apócrifos adicionais.

Um ponto crucial para essa posição era o fato de que a Bíblia de Jesus e dos apóstolos era a Escritura judaica. Além disso, os Apócrifos não haviam sido considerados canônicos pela igreja primitiva.

Também, seguindo a distinção de Jerônimo, os reformadores exortaram a igreja a recorrer apenas às Escrituras canônicas para formular suas doutrinas oficiais.

Consequentemente, os protestantes rejeitavam o purgatório e a prática de orar pelos mortos, pois se baseavam em um escrito apócrifo (2Mc).

Além disso, os reformadores modificaram ou aboliram certas práticas da igreja, como o sacramento da penitência, porque se baseavam numa tradução inferior da Vulgata latina e não tinham apoio no Novo Testamento grego.

A Igreja Católica Romana condenou essa afronta protestante às suas

Escrituras canônicas. No Concílio de Trento, proclamou a Vulgata latina como sua versão oficial da Bíblia e reafirmou que os escritos apócrifos pertencem ao Antigo Testamento canônico.

Portanto, um dos principais pontos de divisão entre católicos romanos e protestantes é o cânon das Escrituras.

Principais erros sobre esta doutrina

1 . Negar a canonicidade do Antigo Testamento

Essa perspectiva incorre em três erros: ignora a visão de Jesus sobre as Escrituras hebraicas; despreza a insistência da igreja primitiva na unidade entre o Antigo.

E o Novo Testamentos e na necessidade dos dois para entender a identidade e a missão de Jesus Cristo; desdenha do reconhecimento por dois mil anos do Antigo Testamento como parte do cânon da Bíblia cristã.

2 . A suspeita de que livros bíblicos que incluem reivindicações de autoria

As Cartas Pastorais reivindicam a autoria paulina) não foram de fato escritos por esses autores. Essa suspeita pode levar à negação da inspiração da Escritura.

No entanto, essa perspectiva ignora as sólidas evidências internas e externas para a autoria desses livros bíblicos e rejeita a afirmação da própria Escritura de que é inspirada e, portanto, a Palavra de Deus.

3 . A ideia de que o processo de reconhecimento do cânon bíblico pela igreja foi uma atividade meramente humana, realizada sem a ajuda de Deus.

Essa posição nega a ação providencial de Deus no mundo. Ele não só guiou os autores bíblicos enquanto escreviam (2Pe 1.19-21)

E inspirou os escritos (2Tm 3.14-17; 1Co 2.10-16) mas também orientou a igreja primitiva para que ela pudesse reconhecer quais escritos ele queria que fossem incluídos em sua Bíblia.

Para que você possa se aprofundar e continuar seus estudos, leia o nosso próximo artigo, para você ter uma visão mais acurada do assunto indico o livro “50 Verdades centrais da fé Cristã” de Gregg R. Allison que deu origem a este artigo. Deus abençoe, até o próximo texto.

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