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Graça Comum – Conheça o Favor de Deus Para Todos os Seres Humanos

A graça comum é o favor universal que Deus concede a todos, tanto crentes quanto incrédulos. Embora a graça de Deus seja geralmente associada a seus poderosos atos de salvação, Deus mostra sua benevolência a todas as pessoas por meio de sua graça comum.

Como favor universal de Deus, a graça comum é diferente da graça salvadora, o favor específico que ele concede somente aos crentes para a salvação.

A graça comum também é diferente da graça preveniente, o favor universal que Deus concede com o objetivo de preparar todas as pessoas para satisfazerem as condições da salvação. Deus criou os seres humanos à sua imagem e é benevolente com todos eles.

A graça comum é encontrada em várias áreas. Embora comum, no sentido de que é dada a todos, essa graça não é experimentada na mesma medida por todos.

O objetivo da graça comum é estimular os incrédulos a aceitarem o evangelho por meio da graça salvadora. Além disso, ela desperta a gratidão dos crentes.

Entendedno a Doutrina da Graça de Deus

A discussão da graça de Deus inaugura apropriadamente esta seção sobre a doutrina da salvação. Nos nove capítulos seguintes, o foco será a graça de Deus em seus poderosos atos de redenção (p. ex., regeneração e justificação).

Antes de examinarmos esse aspecto da graça divina, outro aspecto — a graça comum — merece ser abordado.

A graça comum é o favor que Deus concede a todas as pessoas, tanto crentes quanto incrédulos. São as benevolentes bênçãos universais de Deus que não estão diretamente relacionadas à salvação.

Essa graça comum, portanto, é diferente da graça salvadora, que é o favor particular de Deus concedido apenas aos crentes com o propósito de efetuar sua salvação.

A graça comum também é diferente da graça preveniente da teologia arminiana. A graça preveniente também é o favor universal de Deus.

Mas está diretamente relacionada à salvação pelo seu efeito de restaurar em todas as pessoas a capacidade de se arrepender do pecado e de crer em Cristo.

A teologia reformada não apoia a ideia da graça preveniente, mas, sim, a graça comum e a graça salvadora.

Detalhes Que Precisamos Entender Sobre a Graça Comum

A graça comum é o favor que Deus concede a todas as pessoas porque as criou à sua imagem. Como Pai de seus filhos por meio da criação, ele ama e abençoa os que portam sua imagem de inúmeras maneiras e em várias áreas.

Uma das áreas em que a graça comum atua é a das provisões físicas de Deus para sustentar a vida humana. Manifesta-se na provisão de comida, água, abrigo e outras necessidades básicas para a existência.

Outra área é a capacidade humana de cumprir o mandato cultural. Aos seus portadores de sua imagem, Deus deu a responsabilidade de construir a civilização por meio da procriação e da vocação.

Pela graça comum, os seres humanos têm os dons e talentos necessários para o cumprimento desse mandato.

Essa graça comum manifesta-se em capacidades intelectuais (p. ex., a capacidade de fazer descobertas científicas e produzir avanços tecnológicos).

Habilidades artísticas (talento para a música e a escrita), habilidades atléticas (talento para a ginástica e a corrida), habilidades ligadas ao exercício da profissão (discernimento jurídico e sagacidade política) e muito mais.

A consciência humana é outra área de graça comum

Deus dotou todo ser humano com um senso inato de dever ético. Esse árbitro moral capacita as pessoas a conhecerem os princípios básicos do certo e do errado e a distinguirem o que é certo do que é errado em diferentes situações.

Além disso, a consciência aplaude a obediência e repreende a desobediência, apontando para o legislador moral que está por trás do certo e do errado.

Essa graça comum se manifesta quando as pessoas fazem o que é bom e evitam o que é mau, promovem a vida e lutam contra a injustiça social.

Outra área em que a graça comum atua é a de estruturas sociais, como a família e o governo. A maioria dos seres humanos adultos é casada, e a maioria desses casais tem filhos.

A procriação faz parte da responsabilidade dos portadores da imagem divina de construir a sociedade por meio da expansão da espécie humana.

A graça comum se manifesta nas habilidades relacionais, parentais e filiais que permitem o desenvolvimento de famílias amorosas, carinhosas e apoiadoras.

O governo humano é outra estrutura que promove a prosperidade da sociedade

Cada nação, tribo, clã e comunidade tem algum tipo de governo, que é divinamente estabelecido.

A graça comum se manifesta em leis justas, tratamento justo, proteção contra danos, restrição do mal, punição do erro e promoção do bem.

A graça comum de Deus se manifesta em toda parte, mas não necessariamente na mesma medida. Embora todo ser humano receba o cuidado divino, alguns recebem provisão maior do que outros.

Essa diferença se deve tanto à medida da graça comum concedida quanto a outros fatores (p. ex., devastação causada por um terremoto).

Embora todo ser humano seja dotado de algumas habilidades, alguns são mais dotados do que outros.

Essa diferença se deve tanto à medida da graça comum concedida quanto a outros fatores (p. ex., o acesso à educação para desenvolver essas habilidades).

A Graça de Deus nas Relações Humanas

Embora todo ser humano tenha origem na relação sexual entre um homem e uma mulher, alguns têm melhores relações familiares do que outros.

Essa diferença se deve tanto à medida da graça comum concedida quanto a outros fatores (p. ex., a disposição de um casal não casado de ser uma família e de educar seu filho).

Embora todo ser humano esteja sob algum governo, alguns têm governos melhores que outros.

Essa diferença se deve tanto à medida da graça comum concedida quanto a outros fatores (p. ex., um governo corrupto que favorece as elites e não protege outros cidadãos).

Consequentemente, graça comum não significa “na mesma medida para todos”, mas “universal”, estendida a todos.

Tampouco significa “mundana”, embora a graça comum seja muitas vezes aceita como algo natural e sem nenhuma conexão com sua verdadeira fonte, que é Deus.

Ela é tudo, menos banal e corriqueira, como se vê nas colheitas abundantes, nos avanços médicos, nos gênios artísticos, nas famílias amorosas, nas iniciativas globais contra o tráfico humano e muito mais.

A graça comum deve estimular duas respostas

Embora sejam indignos de Deus, os incrédulos, experimentando seu favor, serão movidos a buscar o Provedor da graça comum e, depois, a abraçar o evangelho por meio da graça salvadora.

Os crentes, experimentando tanto a graça salvadora quanto a graça comum, embora não merecedores de nenhuma delas, darão graças a Deus por suas bênçãos incomensuráveis.

Base bíblica

A criação à imagem divina é apresentada em Gênesis 1. Deus se propôs a criar um ser mais parecido com ele do que qualquer outro ser criado, e então criou unicamente os seres humanos à sua imagem (1.26,27).

Aos portadores de sua imagem, tanto homens quanto mulheres, Deus deu o mandato de construir a civilização por meio da procriação.

(“Frutificai, multiplicai-vos e enchei a terra”) e da vocação (“sujeitai-a e dominai sobre” o resto da criação; 1.28). A graça comum ajuda os seres humanos a cumprir suas responsabilidades.

A graça comum se manifesta nas provisões materiais de Deus para o sustento da vida humana: “Ele faz nascer o sol sobre o mau e o bom, e faz chover sobre o justo e o injusto” (Mt 5.45).

De fato, Deus faz “o bem, dando [às pessoas] chuvas do céu e estações frutíferas, satisfazendo [seus] corações com alimento e alegria” (At 14.17).

A Benção de Deus na Graça Comum

A graça comum de Deus abençoa os seres humanos com as habilidades necessárias para cumprirem sua responsabilidade de construir a civilização.

O livro de Gênesis narra o começo do cumprimento dos dois aspectos do mandato cultural. A procriação é enfatizada pela repetição da frase “e gerou…”.

Adão e Eva geram os primeiros filhos, Caim e Abel (Gn 4.1,2), e a espécie humana se multiplica (Gn 5; 10; 11).

O chamado vocacional é especificado no trabalho de pastorear e cuidar da agricultura (Gn 4.2), construir cidades (Gn 4.16,17), cuidar do gado, tocar música e forjar ferramentas (Gn 4.20-22).

As habilidades humanas de procriação e vocação são fruto da graça comum.

A consciência humana é outra manifestação da graça comum. Paulo afirmou que os gentios “demonstram que a operação da lei está inscrita em seus corações.

Enquanto sua consciência testemunha e seus pensamentos conflitantes ora os acusam, ora os defendem” (Rm 2.14,15).

Pela graça comum, todos conhecem os princípios básicos do certo e do errado e são considerados moralmente responsáveis por seguirem os ditames de sua consciência.

As estruturas da família e do governo são outras manifestações da graça comum. Deus é “o Pai, de quem toda família nos céus e na terra recebe o nome” (Ef 3.14,15).

Não ter família é uma tragédia, como se depreende do fato de que Deus se proclama “Pai dos órfãos e defensor das viúvas” (Sl 68.5).

A graça comum é identificada na estrutura da família humana.

Uma segunda estrutura é o governo. Depois de ressaltar o fato de que todas as autoridades “foram instituídas” por Deus, Paulo exige submissão a essas autoridades.

A resistência à autoridade é a resistência “ao que Deus instituiu, e os resistentes entrarão em julgamento”. O governo existe para coibir os delitos, punir o mal e conter a propagação do pecado.

Paulo resume: “As autoridades são ministros de Deus” (Rm 13.1-7), fruto da graça comum.
Há dois tipos de resposta adequada à graça comum.

Dirigindo-se aos incrédulos, Paulo se pergunta: “Desprezas as riquezas da sua bondade, tolerância e paciência, ignorando que o objetivo da bondade de Deus é conduzir-te ao arrependimento?” (Rm 2.4).

A experiência da graça comum deve levar os incrédulos a reconhecerem o favor de Deus, que eles certamente não merecem por sua rebelião contra ele, afastando-os de seus pecados e fazendo-os buscarem a salvação.

Para os crentes, a consciência, as estruturas sociais, as provisões físicas, os dons e as habilidades para cumprir suas responsabilidades divinas são mais razões para dar graças a Deus (1Tm 4.3,4).

Principais erros

Como essa doutrina é ensinada com pouca frequência, não há grandes erros associados a ela. Ainda assim, negligenciá-la é um erro, assim como é um erro confundir a graça comum com a graça salvadora.

1. Negligenciar ou rejeitar a graça comum. Essa ideia imatura ignora as inúmeras bênçãos do favor de Deus, tanto para os crentes quanto para os incrédulos.

2. Confundir graça comum e graça salvadora. A doutrina da graça comum não afirma, nem mesmo implica, que esse favor divino seja de algum modo salvífico.

Não sustenta, nem mesmo sugere, que os incrédulos, como recipientes da graça comum, possam cooperar com essa graça (ou fazer qualquer outra coisa) para serem salvos.

O bem que os incrédulos fazem como fruto da graça comum — obedecer à própria consciência, serem excelentes profissionais, serem pais exemplares — não merece a graça salvadora.

Para que você possa se aprofundar e continuar seus estudos, leia o nosso próximo artigo, para você ter uma visão mais acurada do assunto indico o livro “50 Verdades centrais da fé Cristã” de Gregg R. Allison que deu origem a este artigo. Deus abençoe, até o próximo texto.

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