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O Castigo Eterno

Segundo Gregg R. Allison o castigo eterno é um dos dois resultados possíveis do juízo final de Cristo (o outro é a vida eterna). Essa sentença contra os ímpios consiste em retribuição consciente no inferno para sempre.

O juízo final será um veredito público dado por Jesus Cristo e que abrangerá o mundo inteiro. Os justos serão recompensados com a vida eterna, mas os ímpios serão sentenciados ao castigo eterno e consciente no inferno/lago de fogo.

Enquanto alguns situam esse julgamento na volta de Cristo, outros acreditam que ocorrerá no final do milênio. Embora seja a posição histórica da igreja, a punição eterna e consciente dos ímpios é contestada por três heresias.

O universalismo acredita que todas as pessoas serão salvas. A imortalidade condicional afirma que os crentes existirão para sempre, mas os incrédulos deixarão de existir quando morrerem.

O aniquilacionismo defende que, após um período de punição, os iníquos serão destruídos e, portanto, não sofrerão castigo eterno.

ENTENDENDO A DOUTRINA SOBRE O CASTIGO ETERNO

O artigo anterior abordou o juízo final, ou julgamento do grande trono branco, de Jesus Cristo. Esse veredito público proferido por Cristo, e que abrange o mundo inteiro consistirá em duas sentenças ao ser pronunciado por Cristo.

Os justos receberão a justiça divina remunerativa e serão recompensados com a vida eterna. Eles viverão para sempre com o Deus triúno no novo céu e na nova terra.

Os ímpios receberão a justiça divina retributiva e serão sentenciados à eterna e consciente punição no inferno. Eles viverão para sempre separados da presença de Deus, sofrendo a vingança divina.

O amilenarismo e o pós-milenarismo situam esse julgamento na volta de Cristo, como o precursor do estado eterno, seja o de bem-aventurança no novo céu e na nova terra, seja o de retribuição no inferno/lago de fogo.

Consequentemente, a punição eterna consciente para os iníquos se segue à volta de Cristo. O pré-milenarismo histórico e o pré-milenarismo pré- tribulacionista ou dispensacionalista situam esse julgamento após o milênio, como o precursor do estado eterno.

Consequentemente, a punição eterna e consciente dos iníquos no inferno/lago de fogo se segue à derrota de Satanás por Cristo no fim do milênio.

Essa posição histórica da igreja raramente foi contestada, mas o século 20 testemunhou o surgimento de ataques mais virulentos contra ela.

As concepções erradas são de três tipos

O universalismo é a posição segundo a qual todas as pessoas acabarão por aceitar a salvação, se não durante a vida, então depois da morte.

Esse ponto de vista não respeita a morte como o ponto que define o destino humano, com base na fé em Cristo durante a vida.

Também prevê algum tipo de evangelismo post-mortem pelo qual as pessoas que rejeitaram o evangelho durante sua existência terrena terão nova oportunidade de crer em Cristo e serem salvas.

A imortalidade condicional é a posição segundo a qual somente Deus possui imortalidade; ele é intrinsecamente imortal. Os crentes, pela graça de Deus, recebem a vida eterna — a imortalidade — tornando-se participantes de sua natureza.

Os incrédulos, que não têm nem recebem imortalidade, naturalmente morrem. A imortalidade condicional difere do universalismo porque nega que todos serão salvos.

Seus proponentes também discordam da posição histórica da igreja porque julgam que essa opinião se baseia na imortalidade da alma, crença que não consideram bíblica.

Segundo essa tese, os crentes recebem a imortalidade e os incrédulos deixam de existir.
O aniquilacionismo é a posição de que, após a morte, os iníquos serão destruídos como castigo por seus pecados.

Difere da imortalidade condicional porque esta sustenta que, após a morte, os incrédulos sofrerão punição por seus pecados por algum tempo, mas depois serão aniquilados.

Essa posição aponta a expressão bíblica “destruição eterna” (2Ts 1.9) como indicativa do destino dos ímpios: sua punição é a cessação da existência.

Além disso, a imagem do fogo — um elemento destruidor — em associação com o inferno sugere aniquilação, em vez de sofrimento contínuo.

Mais ainda, apelando para o princípio legal de que a punição de alguém deve corresponder ao crime, essa posição afirma que a punição eterna dos ímpios seria cruel e injusta.

Assim, os ímpios acabarão sendo destruídos depois de um período limitado de castigo.
A igreja tem enfrentado e condenado constantemente essas contestações, sempre mantendo a posição de que os ímpios sofrerão punição consciente e eterna.

Base Bíblica Sobre o Castigo Eterno

Gregg R. Allison diz que o Antigo Testamento introduz a realidade do castigo eterno quando apresenta uma divisão entre os que receberão a “vida eterna” e os que receberão “vergonha e desprezo eterno” (Dn 12.2) na ressurreição.

Jesus usa essa imagem ao descrever o julgamento final: “Esses [os injustos] irão para o castigo eterno, mas os justos irão para a vida eterna” (Mt 25.46).

É importante ressaltar que os dois destinos são modificados pelo mesmo adjetivo: tanto a vida quanto o castigo são eternos.

Da mesma forma, Jesus contrasta o futuro de dois grupos de pessoas: “os que tiverem feito o bem, para a ressurreição da vida, e os que tiverem feito o mal, para a ressurreição da condenação” (Jo 5.29).

A Escritura apresenta o inferno como o lugar de aflição e tormento dos ímpios

As expressões associadas a ele — “choro e ranger de dentes” (Mt 8.12; 25.30), “o fogo que nunca se apaga” (Mc 9.43,48), “onde o verme não morre” (Mc 9.48), “a fumaça do seu tormento sobe para todo o sempre, e não têm repouso, nem de dia nem de noite” (Ap 14.11) — ressaltam a natureza dolorosa e punitiva do inferno.

De fato, o inferno é, acima de tudo, o lugar de punição para Satanás e os demônios (2Pe 2.4). Secundariamente, torna-se o estado e o lugar dos incrédulos que morreram.

Ainda assim, eles não sofrem o castigo integralmente, o que só ocorre após sua ressurreição e o juízo final: “A morte e o inferno foram jogados no lago de fogo.

Esta é a segunda morte, o lago de fogo. E todo aquele que não se achou inscrito no livro da vida foi jogado no lago de fogo” (Ap 20.14,15). A eterna e consciente punição dos ímpios começa no inferno e continua no lago de fogo.

Os três maiores desafios à doutrina tradicional tentam mostrar que têm apoio bíblico, mas não conseguem.

O universalismo recorre às afirmações bíblicas de que, em Cristo e por meio dele, todos serão justificados e viverão para sempre (Rm 5.18; 1Co 15.22).

Também ressalta o ensino bíblico de que um dia todas as coisas estarão sujeitas a Cristo “para que Deus seja tudo em todos” (1Co 15.28).

Contudo, os comentários de Paulo se aplicam especificamente não a todos, mas aos crentes: “os que recebem da abundância da graça e da dádiva da justiça” (Rm 5.17), aqueles que têm fé e esperança em Cristo (1Co 15.14,17,19).

Quanto à glória de Deus ser “tudo em todos”, mesmo no eterno castigo divino dos ímpios, Deus será glorificado como santo, reto e justo.

Os defensores da imortalidade condicional estão certos quando afirmam que somente Deus tem imortalidade; ele é intrinsecamente imortal (1Tm 6.16).

Não importa se a concepção tradicional depende do conceito grego de imortalidade da alma, pois é possível fazer uma defesa bíblica da existência eterna de seres humanos.

Não por uma propriedade intrínseca, mas por causa da providência de Deus, os seres humanos continuarão a existir para sempre, seja como os justos abençoados com a vida eterna, seja como os injustos amaldiçoados com a destruição eterna (Mt 25.46).

O aniquilacionismo interpreta a expressão bíblica “destruição eterna” (Fp 3.19; 2Ts 1.9) como indicativo de que o destino dos ímpios é a cessação da existência.

Além disso, aponta para a imagem do fogo — símbolo de destruição — como apoio para a ideia de aniquilação, em vez do sofrimento contínuo.

Como resposta, pode-se afirmar que “destruição” não significa necessariamente a cessação da existência. Pelo contrário, pode se referir à natureza retributiva e condenatória do castigo eterno.

Além disso, Jesus traçou o paralelo entre a vida eterna e o castigo eterno (Mt 25.46). Se a primeira é existência eterna (abençoada), o segundo deve ser existência eterna (amaldiçoada).

Quanto às imagens de fogo, quando Jesus as usou para descrever o inferno, ele modificou a palavra com a expressão “que nunca se apaga” (Mc 9.43-48), indicando que, em relação ao inferno, o fogo não destrói, mas queima continuamente.

Principais erros sobre o castigo eterno

Além das três heresias discutidas acima, há dois outros erros ligados a essa doutrina.

1. A negação do castigo eterno consciente. Uma razão para isso é a rejeição da justiça divina retributiva porque esse atributo não retrata Deus da maneira que as pessoas querem que ele seja.

Outra razão é o princípio legal de que a punição deve corresponder ao crime, com a conclusão de que, como o pecado dos seres humanos é finito, a punição de Deus pelo pecado deles deve ser finita.

A igreja respondeu a esse argumento de várias maneiras. Primeiro, essa ideia subestima a enormidade do crime que os seres humanos cometem contra Deus.

Segundo, não leva em conta o fato de que os incrédulos no inferno não deixam de pecar, mas continuam a fazer isso eternamente.

Em terceiro lugar, a punição por um crime é determinada de acordo com a dignidade da pessoa contra quem o crime foi cometido.

Como o pecado é cometido contra Deus, que é infinitamente grandioso, o pecado merece punição infinita.

2. Uma alegre expectativa de que os ímpios recebam o castigo eterno. Em certo sentido, esse sentimento está correto: Deus está certo e age com justiça ao condenar eternamente os pecadores impenitentes.

Além disso, essa punição divina corresponde ao senso humano de justiça. O erro está no fato de crentes preferirem que os incrédulos recebam a maldição, em vez da salvação.

Como o próprio Deus “não quer que ninguém pereça, mas que todos alcancem arrependimento” (2Pe 3.9) e “deseja que todos os homens sejam salvos e cheguem ao conhecimento da verdade” (1Tm 2.4), os cristãos devem nutrir o mesmo sentimento.

Não importa o quanto tenham sido maltratados, os crentes devem desejar que os autores desses crimes se voltem para Cristo e sejam salvos.

Se isso não ocorrer por causa da rejeição do evangelho por parte dos transgressores, então os crentes descansarão contentes com a punição consciente e eterna que Deus impõe aos perversos.

Para que você possa se aprofundar e continuar seus estudos, leia o nosso próximo artigo, para você ter uma visão mais acurada do assunto indico o livro “50 Verdades centrais da fé Cristã” de Gregg R. Allison que deu origem a este artigo. Deus abençoe, até o próximo texto.

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