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O Governo da Igreja

O governo da igreja é o modo como a autoridade é estruturada em relação aos ofícios (e possivelmente à congregação) da igreja.

A igreja precisa de um governo ou algum tipo de autoridade estruturada. O cabeça da igreja é Jesus Cristo.

Historicamente, existem três formas de governo eclesial: episcopalismo, presbiterianismo e congregacionalismo. Várias outras formas de governo eclesiástico foram desenvolvidas recentemente.

Entendendo a Doutrina

Segundo Gregg R. Allison o governo eclesiástico é o modo como a autoridade é estruturada em relação aos ofícios (e possivelmente à congregação) da igreja.

Conforme vimos no capítulo anterior, esses ofícios são o apostolado, um cargo que a maioria das igrejas considera ter cessado com a morte dos apóstolos (e, portanto, não será discutido neste capítulo).

O episcopado, ou cargo de bispo; o pastorado ou presbiterato, que é o ofício de pastor ou presbítero; e o diaconato, ou cargo de diácono e diaconisa.

Embora não seja um ofício, a congregação, constituída pelos membros da igreja, desempenha uma função na forma de governo da igreja.

A igreja precisa de um governo ou algum tipo de autoridade estruturada. Um dos principais motivos é que, ao salvar seres humanos,

Deus os reúne como seu povo na igreja

Refletindo a natureza daquele que a criou, a igreja é uma comunidade organizada. Além disso, Deus Pai, ao exaltar seu Filho, o nomeou como o Senhor da igreja; assim, ela é governada por autoridade divina.

A Escritura também mostra que a igreja é liderada por estruturas dotadas de autoridade e fornece instruções sobre esses cargos. Portanto, o governo é necessário para a igreja.

O cabeça da igreja é Jesus Cristo. Seu senhorio significa que ele tem domínio sobre a igreja, que deve submeter-se a ele em todas as coisas.

Conhecer e cumprir a vontade de Cristo são as principais preocupações dos líderes humanos da igreja.

Embora ele ordene que sua igreja seja governada por essas autoridades humanas, Cristo nunca concede seu ofício de governante a eles.

Ainda assim, a liderança de Cristo não elimina a liderança humana na igreja, e é dessa responsabilidade oficial que tratamos aqui

Historicamente, existem três formas de governo da igreja

O episcopalismo é a forma de governo em que a autoridade máxima é exercida pelo bispo (gr., episkopos). Nessa estrutura governamental de três níveis, os bispos se distinguem dos presbíteros (sacerdotes) e diáconos.

Como primeira ordem do clero, os bispos exercem a autoridade final. Isso inclui o ato de manter os três cargos, consagrando outros bispos e ordenando sacerdotes/presbíteros e diáconos.

Como segunda ordem do clero, os sacerdotes/presbíteros são ordenados ministros de igrejas locais. Os diáconos, a terceira ordem, são servos ordenados que ajudam os bispos e sacerdotes.

Alguns exemplos de governo eclesiástico episcopal são a Igreja Católica Romana, a Igreja Episcopal e a Igreja Metodista Unida.

O presbiterianismo é o governo dos presbíteros como representantes da igreja

Esses presbíteros (gr., presbyteroi) governam em estruturas hierárquicas e são de dois tipos: os presbíteros docentes são ordenados.

Geralmente clérigos formados em seminário, tornando-se responsáveis por pregar a Palavra de Deus, administrar os sacramentos e liderar.

Os presbíteros regentes, geralmente leigos não ordenados, são encarregados de liderar, juntamente com o presbítero docente.

O presbiterianismo tem estruturas hierárquicas de autoridade: em uma igreja local (p. ex., a Calvin Presbyterian Church ou a Grace Reformed Church), os presbíteros formam um conselho ou consistório.

Os presbíteros de uma área geográfica formam um presbitério (p. ex., o presbitério da Filadélfia). Os membros de um presbitério de uma região formam um sínodo (p. ex., o Sínodo do Nordeste).

Em âmbito nacional, constitui-se o supremo concílio (p. ex., o Supremo Concílio [também Assembleia Geral] das PCUSA [Igrejas Presbiterianas dos Estados Unidos da América, na sigla em inglês]).

Entre os exemplos de igrejas presbiterianas estão a Christian Reformed Church, a Presbyterian Church of America e a Evangelical Presbyterian Church.

O congregacionalismo é o governo exercido pela congregação local, em cujos membros reside a autoridade final.

Cada igreja é uma entidade autônoma, e não há indivíduo (p. ex., um bispo, como no episcopalismo) ou estrutura (p. ex., um presbitério ou sínodo, como no presbiterianismo) acima dela.

O próprio Cristo é seu único cabeça

O congregacionalismo baseia-se em dois princípios: o primeiro é a autonomia, que significa que cada igreja é independente e autogovernada, sendo responsável por sua própria liderança, finanças, construções e ministérios.

O segundo é a democracia, que significa que a autoridade é exercida por seus membros, que juntos participam de decisões congregacionais por meio de algum processo de confirmação ou negação.

Entre os exemplos de governo congregacional estão as igrejas batistas, as igrejas evangélicas livres e as chamadas Bible churches (“igrejas da Bíblia”).

Recentemente, desenvolveram-se várias novas formas de governo eclesiástico. Reproduzindo estruturas empresariais, algumas igrejas reformularam o papel do pastor ao modo de um executivo-chefe de operações.

As chamadas megaigrejas criaram conselhos administrativos que refletem modelos corporativos de governança.

As igrejas multissite desenvolveram sistemas de governança com estruturas episcopais, presbiterianas e congregacionais.

Base bíblica

Gregg R. Allison diz que a base bíblica para a necessidade de governo na igreja consiste em vários pontos. Um ponto-chave é que a igreja, criada por Deus, reflete a natureza divina.

Especificamente, a igreja é uma comunidade ordenada, não uma multidão indisciplinada, “porque Deus não é Deus de desordem, mas, sim, de paz” (1Co 14.33).

Consequentemente, Paulo reitera que “tudo deve ser feito com decência e ordem” (1Co 14.40; cf. Cl 2.5). O governo da igreja ajuda a manter essa comunidade organizada.

Outros pontos dizem respeito à liderança de Jesus Cristo e à revelação divina. Em virtude de sua ascensão e exaltação, o Filho foi dado à igreja como cabeça de toda a criação.

A igreja é dele (Mt 16.18). Metaforicamente, ele é a sua pedra angular (Ef 2.20) e alicerce (1Co 3.11), seu Supremo Pastor (1Pe 5.4).

É claro que a igreja deve submeter-se à sua autoridade divina. Como Senhor da igreja, Cristo deu diretrizes por meio do Espírito Santo e dos apóstolos de como a igreja deve ser governada.

Essa revelação divina apresenta esses líderes como pastores (1Pe 5.1-5), presbíteros ou bispos/superintendentes (1Tm 3.1-7; Tt 1.5-9) e pessoas que receberam dons para o aperfeiçoamento dos membros da igreja (Ef 4.11- 16).

Portanto, a igreja precisa de algum tipo de governo

Mas que tipo de governo a igreja deve ter? Cada uma das três posições históricas reivindica apoio bíblico, e cada uma baseia sua defesa no relato do Concílio de Jerusalém (At 15).

O episcopalismo afirma que Atos 15 destaca o papel desempenhado por Tiago no Concílio de Jerusalém, que é semelhante ao de um bispo.

Sua responsabilidade superior é confirmada quando Tiago é apresentado como chefe da igreja de Jerusalém (At 21.18).

O apoio secundário inclui o papel oficial de Timóteo (1Tm 1.3; 3.14,15; 2Tm 2.2) e Tito (Tt 1.5), emissários do apóstolo Paulo para as igrejas locais com a responsabilidade de nomear presbíteros.

O episcopalismo também aponta para o desenvolvimento do ministério de três níveis (bispo, presbítero/pastor, diácono) na igreja primitiva (p. ex., a defesa do monoepiscopado por Inácio, no segundo século) e seu desenvolvimento durante os primeiros cinco séculos.

O presbiterianismo recorre ao texto de 1Timóteo 5.17 em apoio à sua distinção entre os presbíteros encarregados do ensino e os encarregados do governo.

Paulo apresenta dois grupos de líderes: “os presbíteros que governam bem” e “os que trabalham na pregação e no ensino”.

O primeiro grupo são os presbíteros regentes; o segundo, os docentes

A justificativa para o governo da igreja pelos presbíteros em estruturas hierárquicas de autoridade inclui passagens bíblicas nas quais a palavra “igreja” se refere a uma entidade concreta maior que uma congregação local (At 9.31).

Além disso, argumenta-se que as igrejas primitivas não consistiam de congregações individuais. Por exemplo, os milhares de crentes em Jerusalém reuniram-se em múltiplas congregações (At 2.46; 12.12).

Em outras partes, muitas pequenas congregações se reuniam separadamente em lares (Rm 16.5; 1Co 16.19; Cl 4.15; Fm 2), embora essas assembleias ainda fossem consideradas uma única igreja (de Antioquia, At 13.1-3; de Éfeso, At 20.17,28).

A interpretação presbiteriana de Atos 15 baseia-se nas congregações de várias igrejas — aquelas situadas “em Antioquia, Síria e Cilícia” (At 15.23).

Decidindo convocar um sínodo na igreja de Jerusalém para atuar como um corpo oficial da igreja.

Esses procedimentos se assemelham a um típico sínodo presbiteriano

O congregacionalismo também reivindica apoio bíblico. Um dos argumentos se baseia nas responsabilidades atribuídas à congregação.

A disciplina da igreja envolve toda a igreja (Mt 18.15-20). Um exemplo em que a maioria dos membros da igreja aplica essa disciplina é o caso do homem incestuoso de Corinto (1Co 5; 2Co 2.5-11).

Além disso, a seleção dos diáconos (At 6.1-6) foi delegada a seus membros. Até mesmo a decisão do Concílio de Jerusalém: “pareceu bem aos apóstolos e aos presbíteros, com toda a igreja” (At 15.22).

Sem minimizar o papel de supervisão desempenhado pelos apóstolos e presbíteros, a importância do envolvimento de toda a igreja não pode ser negada.

Uma segunda linha de apoio ao congregacionalismo consiste no papel que a igreja tem em separar certas pessoas para responsabilidades específicas.

A igreja de Jerusalém enviou Barnabé a Antioquia (At 11.19-24). Por sua vez, a igreja de Antioquia nomeou Barnabé e Paulo para o serviço missionário
(At 13.1-3; 14.24-28), um comissionamento que foi repetido com Paulo e Silas (At 15.36-41).

A igreja de Corinto selecionou os que seriam enviados com a oferta financeira da congregação (1Co 16.1-4; 2Co 8.16-24).

Principais erros sobre o Governo da Igreja

1. O papado da Igreja Católica Romana. Todas as igrejas protestantes rejeitam o papado e sua reivindicação de autoridade universal sobre todas as igrejas.

2. Governos eclesiais autoritários, que abusam de sua autoridade divinamente outorgada e maltratam seus membros. Esse erro se aplica também a denominações que tentam forçar suas congregações a adotarem falsas doutrinas e práticas que não são bíblicas.

3. Igrejas que rejeitam todas as formas de governo eclesial. Tanto biblicamente quanto na prática, esse modelo antiautoritário é errado e impraticável.

Para que você possa se aprofundar e continuar seus estudos, leia o nosso próximo artigo, para você ter uma visão mais acurada do assunto indico o livro “50 Verdades centrais da fé Cristã” de Gregg R. Allison que deu origem a este artigo. Deus abençoe, até o próximo texto.

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